Boletim Econômico Semanal 068

Boletim Econômico Semanal 068

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Trump e a Reforma do Sistema de Saúde Estadunidense - Boletim Econômico Semanal 068

Neste Boletim Econômico Semanal 068 destacamos:

  • Produção industrial muito fraca, com perspectivas pouco otimistas;
  • Fed mantém taxa de juros apesar do desempenho fraco no primeiro trimestre;
  • Reforma da Previdência aprovada na comissão e reforma da saúde dos EUA foi aprovada na Câmara.

Acompanhe a seguir os principais tópicos deste Boletim Econômico Semanal 068 e, logo em seguida, nossa análise. Navegue pelos tópicos para ir aos itens que mais te interessar.

Qualquer dúvida, crítica, sugestão, ideia etc, deixe seu comentário abaixo que a gente responde.

  1. Cenário Econômico Nacional
  2. Cenário Econômico Internacional
  3. Cenário Político
    1. Nacional
    2. Internacional
  4. Destaques e Perspectivas

Cenário Econômico Nacional

Atividade Econômica

A produção industrial registrou queda maior que a esperada em março. Apesar desse resultado, esperamos estabilização desse indicador nos próximos meses, conforme apontado pelos índices de confiança do setor. A produção industrial recuou 1,8% na passagem de fevereiro para março, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo IBGE.

Na comparação interanual, a alta de 1,1% acabou revertendo a queda de 0,7% registrada em fevereiro, acumulando expansão de 0,6% no ano. Nos últimos doze meses, no entanto, a produção recuou 3,8%. A queda da produção industrial se deu de forma espalhada, com 15 dos 24 setores pesquisados contribuindo negativamente no período, além de haver contração em todas as categorias de uso.

A produção de bens de capital caiu 2,5%, revertendo parcialmente a alta de 5,9% em fevereiro. A retração de 8,5% dos bens de consumo duráveis refletiu, principalmente, a redução da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,5%), como já indicado pelos dados da Anfavea. No mesmo sentido, a produção de bens intermediários recuou 2,5% na margem.

Na comparação interanual, todas as categorias de uso apresentaram variações positivas, sinalizando alguma estabilização da produção industrial. Destacamos o crescimento da produção da indústria extrativa, que subiu 7,1% na comparação interanual, explicando parte da retomada da atividade do setor.

Entretanto, a produção desse componente ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes do acidente em Mariana-MG no final de 2015, e mostrou queda de 1,1% na margem. De todo modo, é importante ressaltar que a forte expansão do setor agropecuário será o principal determinante para o resultado do PIB deste ano, especialmente para o primeiro trimestre. Além disso, reforçando nossa expectativa de estabilidade da produção industrial, os índices de confiança da indústria registraram ligeira alta em abril.

O crescimento do consumo das famílias a partir do segundo semestre e a redução da taxa de juros também deverão favorecer a retomada da atividade industrial ao longo de 2017, que conta atualmente com a capacidade instalada em níveis de ociosidade elevados em diversos setores.

Comércio Exterior

O saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 6,969 bilhões em abril, após apresentar superávit de US$ 1,788 bilhão na última semana do mês, de acordo com os dados divulgados na terça-feira (2/5) pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Esse resultado é equivalente a um superávit de US$ 92 bilhões em termos anualizados, levando em consideração os ajustes sazonais.

No mês, as exportações somaram US$ 17,686 bilhões, superando as importações, que alcançaram US$ 10,717 bilhões. Assim com o observado ao longo do mês, o superávit foi impulsionado pelo expressivo crescimento das exportações. De fato, ao comparar tais resultados com as médias diárias de abril do ano passado, verificou-se crescimento de 27,8% dos embarques e de 13,3% das compras externas.

A expansão das exportações foi explicada pelo aumento das vendas das três categorias de produto: básicos (29,2%), semimanufaturados (27,5%) e manufaturados (25,7%). Em relação às importações, houve crescimento de gastos, principalmente com combustíveis e lubrificantes (28,5%) e bens intermediários (16,5%). Excluindo a conta de petróleo, os embarques cresceram 11,0% e as compras externas se mantiveram estáveis.

Assim, o saldo da balança comercial acumulou superávit de US$ 21,387 bilhões neste ano. Para o fechado de 2017, projetamos além de forte superávit, alguma retomada das importações ao longo dos próximos trimestres, em resposta à sutil melhora da atividade econômica.

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Cenário Econômico Internacional

Área do Euro

O PIB da Área do Euro cresceu 0,5% no primeiro trimestre deste ano ante o trimestre imediatamente anterior, segundo leitura preliminar divulgada na quarta-feira (3/5) pela Eurostat. O resultado, que ficou em linha com o esperado pelo mercado, confirmou a manutenção do mesmo ritmo de crescimento registrado no último trimestre do ano passado.

Vale notar que essa primeira estimativa não traz a abertura dos dados pelas óticas da oferta e demanda. Na comparação interanual, o PIB avançou 1,7%. Os primeiros indicadores relativos a abril, como o índice PMI da indústria de transformação, indicam que a econômica continua a ganhar tração neste início do segundo trimestre..

Estados Unidos

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) confirmou as expectativas do mercado e optou por manter as taxas de juros estáveis entre 0,75% e 1,00% em reunião realizada na quarta-feira (3/5). O comunicado da decisão reconheceu o desempenho mais fraco da atividade econômica no primeiro trimestre, mas afirmou que essa desaceleração deve ser transitória.

A despeito do baixo crescimento dos gastos das famílias no período, a autoridade monetária afirmou que os fundamentos que sustentam a aceleração do consumo nos próximos meses continuam sólidos. Os investimentos, por sua vez, apresentaram crescimento mais forte, o que corrobora a visão de que a economia norte-americana permanece dinâmica.

Em relação à evolução da inflação, o comitê destacou que, apesar da variação corrente dos preços estar ao redor da meta de 2%, os núcleos recuaram e se mantêm ligeiramente abaixo da meta. Assim, seguimos com nosso cenário de mais duas elevações das taxas de dos juros do país neste ano, nas reuniões de junho e setembro.

Ademais, acreditamos que apenas nova frustração da atividade econômica no segundo trimestre poderia levar a uma reavaliação do ritmo de normalização da política monetária.

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Cenário Político

Nacional

Reforma da Previdência

A comissão especial da Câmara aprovou o texto base da reforma da previdência na quarta-feira (3/5), com 23 votos favoráveis e 14 contrários. Entretanto, a sessão da comissão foi interrompida no final da noite durante a votação dos destaques.

A conclusão da votação ainda não tem data confirmada, mas é provável que ocorra na próxima terça-feira. Em seguida, a reforma será encaminhada ao plenário da Câmara, no qual serão necessários ao menos 308 votos em dois turnos de votação para ser aprovada.

Internacional

Em uma vitória para o presidente Donald Trump, a câmara aprovou a reforma do sistema de saúde, uma das promessas da campanha presidencial, por 217 a 213 votos. A votação contou com o voto contrário de 20 deputados do partido republicano e nenhum democrata foi favorável à proposta. Vale recordar que em março o governo havia desistido de votar o projeto devido à falta de apoio suficiente dentro do partido republicano.

Agora a proposta segue para o Senado, no qual deve enfrentar novas resistências. A aprovação da reforma do sistema de saúde no Congresso precede as discussões da proposta de reforma tributária, que inclui a redução das alíquotas de impostos para as empresas e famílias.

Apesar do resultado positivo em relação a este projeto na Câmara, o processo de discussão tende a ser longo no Senado, o que ainda nos mantém cautelosos em relação à apreciação das questões fiscais ao longo deste ano.

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Destaques e Perspectivas

Nacional

A tendência de desinflação e a estabilização da atividade econômica no Brasil deverão ser reforçadas pelos indicadores econômicos, que serão conhecidos esta semana. Os dados de inflação, em especial, devem reforçar nossa avaliação prospectiva bastante favorável.

O IPCA de abril, que será conhecido na quarta-feira, deve mostrar alta. O IGP-DI, que será divulgado na terça-feira, deve mostrar queda, refletindo principalmente os menores preços dos produtos agrícolas e o recuo do preço do minério de ferro.

Na quinta-feira, teremos a Pesquisa Mensal do Comércio, para a qual esperamos retração das vendas do varejo na passagem de fevereiro para março.

No dia seguinte, será divulgada a Pesquisa Mensal de Serviços, também referente a março. Também deve ganhar destaque a conclusão da votação da Reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, prevista para terça-feira.

Internacional

Na agenda externa, as atenções do mercado estarão divididas entre a evolução da inflação global – hoje com tendência de desaceleração – e os indicadores de atividade, que têm sugerido alguma desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Destacamos a divulgação dos dados da inflação ao consumidor e das vendas do varejo dos EUA, ambos previstos para sexta-feira.

Na China, os índices de inflação, a serem conhecidos na terça-feira, devem reforçar a continuidade da descompressão dos preços ao produtor em abril, com a inflação ao consumidor bastante tranquila. Além disso, durante a semana conheceremos o resultado da balança comercial chinesa do mês passado.

As estimativas para oferta e demanda mundial de commodities agrícolas, que serão divulgadas quarta-feira pelo USDA, devem confirmar o cenário de forte oferta global, sustentando nossa expectativa de que os preços desses produtos seguirão acomodados nos patamares atuais.

Na Alemanha, teremos os resultados da produção industrial, na terça-feira, e as informações preliminares do PIB do primeiro trimestre, na sexta-feira. Por fim, ao longo da semana que vem, teremos reuniões de política monetária em diversos países, como Reino Unido, Argentina, Peru e Nova Zelândia.

Acompanhe a agenda completa clicando aqui.

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