Boletim Econômico Semanal 069

Boletim Econômico Semanal 069

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Neste Boletim Econômico Semanal 069 destacamos:

  • Dados de atividade muito fracos, mas agricultura mantém resultados consistentes;
  • Cenário mundial para a produção de grãos é altamente favorável;
  • Reforma da Previdência segue para plenário da Câmara.

Acompanhe a seguir os principais tópicos deste Boletim Econômico Semanal 069 e, logo em seguida, nossa análise. Navegue pelos tópicos para ir aos itens que mais te interessar.

Qualquer dúvida, crítica, sugestão, ideia etc, deixe seu comentário abaixo que a gente responde.

  1. Cenário Econômico Nacional
  2. Cenário Econômico Internacional
  3. Cenário Político
    1. Nacional
  4. Destaques e Perspectivas

Cenário Econômico Nacional

Atividade Econômica

Agricultura

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou a 8º Estimativa da safra 2016/17 de grãos que está em período de colheita no País. A área plantada da atual safra é de 60,4 milhões de hectares, expansão de 3,5% ante a safra passada, e a produção total de grãos, deve alcançar o recorde de 232,0 milhões de toneladas, uma expansão de 24,3% ante a safra anterior.

Pelo quinto mês consecutivo a Conab revisou a produção total de grãos para cima. Dentre as mais de 4,6 milhões de toneladas da revisão altista, destacaram-se a produção de soja, com 2,9 milhões de toneladas a mais, e a produção de milho, com 1,4 milhão de toneladas a mais.

A safra total de milho será recorde e está estimada em 92,8 milhões de toneladas, um incremento de 39,5% ante a safra anterior. A safra de soja também será a maior da série, e foi estimada em 113,0 milhões de toneladas, uma ampliação de 18,4% ante a safra passada. Revisões positivas em relação à estimativa do mês anterior também foram observadas no caso do feijão (+1,3%), arroz (+0,1%) e algodão (+1,0%).

Para a 2ª safra de milho, que começará a ser colhida a partir de junho, a Conab revisou para cima a estimativa de produção em um milhão de toneladas, o equivalente a uma alta de 1,7% ante o mês passado. Assim, a estimativa para a produção de milho 2ª safra passou de 61,6 para 62,7 milhões de toneladas entre o levantamento do mês passado e o atual.

A primeira safra de milho também teve revisão positiva, passando de 29,9 para 30,2 milhões de toneladas, refletindo a melhora da produtividade. O incremento de produção de grãos deve continuar favorecendo a baixa de seus preços domésticos, aliviando os custos nos segmentos de carnes e de leites e derivados, além de representar relevante ampliação da renda agrícola nas regiões produtoras de grãos.

Comércio Varejista

As vendas reais do comércio varejista restrito recuaram 1,9% entre fevereiro e março, descontados os efeitos sazonais, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada ontem pelo IBGE. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado.

Na comparação interanual, as vendas caíram 4,0% e acumulam queda de 5,3% nos últimos doze meses. A receita nominal também apresentou desempenho negativo, com queda de 1,9% ante fevereiro, na série com ajustes sazonais. Setorialmente, quatro dos oito segmentos pesquisados registraram queda na margem em março.

A retração mais intensa, de 6,2%, foi observada em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Também merecem destaque as reduções nas vendas de tecidos, vestuário e calçados, de 1,0%. Por outro lado, as vendas de móveis e eletrodomésticos cresceram 6,1% no período.

O volume de vendas do comércio varejista ampliado, que também contempla os segmentos de veículos e materiais de construção, recuou 2,0% na série dessazonalizada. As vendas de veículos e motos, partes e peças apresentaram modesto declínio de 0,1%, enquanto as de material de construção cresceram 2,7% no período.

Em relação a março do ano passado, a atividade do comércio ampliado contraiu 2,7%. As últimas divulgações de indicadores de atividade econômica têm frustrado as expectativas dos analistas de mercado, reforçando o cenário de recuperação bastante gradual e lento da economia.

Com a surpresa negativa verificada nos dados das vendas do varejo, reduzimos nossa projeção para o PIB do segundo trimestre, para uma contração de 0,2%. Para o primeiro trimestre, no entanto, seguimos esperando crescimento de 0,7%, diante da expansão da atividade agrícola no período..

Setor de Serviços

O volume de serviços prestados recuou 2,3% entre fevereiro e março, descontada a sazonalidade, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE divulgada na última sexta-feira (12/5). Na comparação interanual, a queda foi de 5,0%, abaixo da mediana das expectativas do mercado, de retração de 4,0%.

Em 12 meses, a atividade no setor acumula declínio de 5,0%. A receita nominal, por sua vez, caiu 1,0% na passagem de fevereiro para março e registrou alta de 1,0% em relação a março de 2016. O desempenho negativo do setor reforça nossas expectativas de que a retomada da economia será bastante gradual.

Nível de Preços

O IPCA de abril manteve a tendência dos últimos meses, com importante desaceleração da inflação ao consumidor, ao registrar alta inferior à verificada em março. Dessa forma, o comportamento dos preços no curto prazo também fortalece nossa expectativa de que o Banco Central optará pela intensificação do corte de juros em sua próxima reunião, levando a taxa Selic a 8,0% ao final deste ano.

O IPCA subiu 0,14% em abril, segundo os dados divulgados pelo IBGE. Com o resultado, a alta acumulada em doze meses recuou de 4,57% para 4,08%, ficando abaixo do centro da meta estabelecida para o Banco Central, de 4,50%. A desaceleração ante março, quando a alta chegou a 0,25%, foi explicada pela menor pressão em três dos nove grupos do índice.

Destacamos a desaceleração dos preços de habitação, que caíram 1,09% (ante alta de 1,18% no mês anterior), refletindo redução temporária das tarifas de energia elétrica. Além disso, houve arrefecimento da elevação dos preços de grupos de educação e de despesas pessoais. Por outro lado, mesmo controlados e com variações baixas e inferiores à sazonalidade do período, os preços de alimentação e bebidas aceleraram de uma alta 0,34% para outra 0,58%.

Vale dizer que os preços de produtos agropecuários no atacado seguem em deflação, de acordo com as últimas leituras dos IGPs, apontando para a continuidade do comportamento favorável desse grupo do IPCA nos próximos meses. Os indicadores de núcleo de inflação continuaram desacelerando no acumulado em doze meses, sinalizando que a desinflação também tem atingido os componentes mais sensíveis à política monetária.

Os preços de serviços, por exemplo, acumularam alta de 6,05% nos últimos doze meses, abaixo do avanço de 6,10% acumulado até março. A média dos núcleos apresentou alta de 0,27% em abril, ligeiramente acima da elevação de 0,22% registrada no mês anterior. No mais, a desaceleração continuará espraiada entre os componentes do índice.

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Cenário Econômico Internacional

Estados Unidos

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda mundial de grãos, com as primeiras estimativas para a safra de 2017/2018. O cenário base ainda é de oferta favorável para os principais grãos, com estoques em patamares elevados.

A exceção é o milho, cuja expectativa é de uma queda na produção. Os preços baixos dos últimos anos, levaram a uma redução da intenção de área plantada com esse grão, e assim a oferta e os estoques mundiais devem se reduzir na próxima safra.

Para a soja, a expectativa é de que a relação entre os estoques mundiais e o consumo permaneça significativamente acima da média histórica. Caso semelhante acontece para o trigo, com estoques se mantendo em patamar recorde. Em relação aos preços, acreditamos que eles devem ficar próximos aos níveis atuais até meados do ano, refletindo a safra atual, que é recorde.

No segundo semestre, as atenções se voltam mais intensamente para a próxima safra, para a qual neste momento esperamos alguma elevação de preços, puxada pelo milho. Em nosso cenário, consideramos alta de 5,0% em média dos preços dos grãos.

OPEP

A OPEP divulgou na última quinta-feira seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo e mostrou que seus membros continuam comprometidos em cumprir o acordo de redução de oferta do grupo. Desde que houve a decisão pelo acordo, a OPEP reduziu a oferta em 1,6 milhões de barris/dia, atingindo a produção de 31,73 milhões de toneladas por dia.

A redução é fundamental nesse momento para evitar acúmulo excessivo de estoques no mundo, ainda mais tendo em vista que a produção norte-americana está crescendo além do esperado. A pressão para que o acordo seja estendido para o segundo semestre permanece.

A reunião para tomada dessa decisão será no dia 25 deste mês e os principais membros do grupo têm sinalizado que possuem interesse em prorrogar o acordo. Sob o acordo, os preços do petróleo deverão voltar a subir, mas acreditamos que fiquem no intervalo US$ 50 a US$ 55/barril.

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Cenário Político

Nacional

Reforma da Previdência

A Comissão Especial da Câmara concluiu na terça-feira (9/5) a votação dos destaques à proposta de Reforma da Previdência. Vale lembrar que o texto base havia sido aprovado na semana anterior por 23 votos favoráveis e 14 contrários.

Todos os destaques foram rejeitados, com exceção do que mantinha a competência da justiça estadual para julgar os casos referentes aos benefícios por acidente de trabalho, ante proposta de que esses casos fossem transferidos à justiça federal.

Com a conclusão da votação, a Reforma será encaminhada para o Plenário da Câmara e a votação em primeiro turno pode ocorrer dentro de duas a três semanas. Nessa votação, o governo precisará do voto favorável de 308 dos 513 deputados. Passada essa fase, a reforma segue para o Senado – com aprovação final prevista para no máximo em setembro.

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Destaques e Perspectivas

Nacional

Mantemos nossa visão de que a retomada da economia brasileira segue gradual e lenta, com a expectativa de que o segundo trimestre mostrará retração.

Estamos levando em conta, assim, os fracos resultados de março que apontam para desaceleração da economia no trimestre corrente.

Depois das surpresas negativas com os resultados das vendas do varejo e do setor de serviços divulgados nesta semana, esperamos que o IBC-Br, que será divulgado na segunda-feira, aponte uma queda forte da atividade econômica entre fevereiro e março, reforçando esse nosso cenário.

Além disso, a CNI divulgará os dados da confiança do empresário industrial de maio, na quarta-feira, e da Sondagem da Indústria de abril, na sexta-feira.

Por fim, a Receita Federal deve divulgar, sem data definida, a arrecadação federal referente a abril que, segundo nossa estimativa, deve ter somado alta ligeiramente maior do que em março.

Internacional

A agenda externa da semana iniciará com a divulgação dos dados de atividade da China, referentes a abril, no final de semana. Nos Estados Unidos, o destaque ficará com o resultado da produção industrial de abril, na terça-feira.

No mesmo dia, teremos a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre da Área do Euro e, na quarta-feira, será divulgado o dado final da inflação de abril.

Na Alemanha, teremos o índice Zew de sentimento econômico, um dos primeiros indicadores de maio, na terça-feira. Além disso, ao longo da semana, os bancos centrais do Chile, do México e da Polônia terão reunião de política monetária.

Acompanhe a agenda completa clicando aqui.

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