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Reforma trabalhista e reforma da previdência seguem como destaque do cenário político - Boletim Econômico Semanal 066 PRO

Este é o Boletim Econômico Semanal 066 PRO, exclusivo para assinantes.

Este relatório tem como foco apresentar as projeções, perspectivas e expectativas dos indicadores econômicos mais relevantes da semana corrente selecionados por nós para fornecer a você, nosso leitor, o cenário de curto prazo.

Neste semanal 066 PRO, os indicadores econômicos mais relevantes na nossa leitura são:

  • Dados de política monetária e creditícia no Brasil;
  • Dados das contas públicas do governo brasileiro;
  • Mercado de trabalho brasileiro;
  • Nível de preços na Zona do Euro;
  • PIB dos Estados Unidos;
  • PIB do Reino Unido;
  • Cenário político e mais.

Para manter-se atualizado com o que aconteceu na economia e seus desdobramentos, leia o Boletim Econômico Semanal 066.

VISÃO GERAL DO SEMANAL 066 PRO

Visão geral dos indicadores. Boletim Econômico Semanal 066 PRO.

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Reforma trabalhista e reforma da previdência seguem como destaque do cenário político - Boletim Econômico Semanal 066

Neste Boletim Econômico Semanal 066 destacamos:

  • Mercado de Trabalho reforça expectativa de economia fraca;
  • FMI ajustou previsão de crescimento para a economia mundial;
  • Reformas avançam no Brasil e eleições presidenciais na França seguem tensas.

Acompanhe a seguir os principais tópicos deste Boletim Econômico Semanal 066 e, logo em seguida, nossa análise. Navegue pelos tópicos para ir aos itens que mais te interessar.

Qualquer dúvida, crítica, sugestão, ideia etc, deixe seu comentário abaixo que a gente responde.

  1. Cenário Econômico Nacional
  2. Cenário Econômico Internacional
  3. Cenário Político
    1. Nacional
    2. Internacional
  4. Destaques e Perspectivas

Cenário Econômico Nacional

Mercado de Trabalho

Surpreendendo negativamente as expectativas do mercado, o saldo de emprego formal foi negativo em março. Com isso, houve uma reversão da criação de vagas de fevereiro, encerrando o primeiro trimestre no campo negativo.

Houve redução líquida de 63.624 postos de trabalho formais no mês passado, segundo os dados divulgados na última quinta-feira (20/4) pelo Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE. O saldo negativo foi puxado, principalmente, pelos cortes de 33.909 e de 17.086 dos segmentos do comércio e de serviços, respectivamente.

Com isso, foram destruídas 64.378 vagas no primeiro trimestre, em termos líquidos. Descontada a sazonalidade, o fraco resultado de março também mais que compensou o observado em fevereiro, ao passar de aproximadamente -29 mil para -68 mil, patamar próximo do verificado em janeiro.

Mantemos nossa visão de que o mercado de trabalho se recuperará lentamente ao longo do ano, de forma desfasada ao ritmo da atividade econômica.

Nível de Preços

O comportamento da inflação corrente seguiu surpreendendo para baixo, conforme apontado pelo resultado do IPCA-15, que registrou alta de 0,21% em abril, após elevação de 0,15% em março, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.

Vale dizer que essa variação ficou bastante próxima da nossa projeção (0,19%). A aceleração em relação a março foi explicada por quatro de seus nove grupos. Destaque para a reversão da deflação de alimentação (de queda de 0,08% para alta de 0,31%).

Os preços de saúde também foram importantes para o avanço do indicador, com elevação de 0,91% (ante 0,48%), decorrente do reajuste de medicamentos autorizado no final de março. Por outro lado, o grupo transportes desacelerou de uma elevação de 0,64% para outra de 0,39%, com a queda dos preços de combustíveis compensando a alta de passagens aéreas.

O grupo habitação, na mesma direção, favoreceu a descompressão do índice, ao passar de uma alta de 0,64% para outra de 0,39%, possibilitada pela estabilidade dos preços de energia elétrica.

Com o resultado, o IPCA-15 acumulou alta de 4,41% nos últimos doze meses, abaixo do centro da meta de 4,50% estipulado pelo Banco Central.

Política Monetária

A ata da reunião de política monetária do Banco Central (BC), divulgada na terça-feira (18/4), teve como destaque a discussão de uma provável intensificação do ritmo de corte de juros em relação ao apresentado na última decisão do Copom.

Se por um lado o cenário atual, na visão do BC, já era compatível com uma redução da taxa Selic maior do que 1 p.p., decidida na última reunião, por outro, o balanço de riscos, que permanece relevante, corroborou a decisão do Copom em manter definir o ritmo de 100bps e reduzir a taxa de juros de 12,25% para 11,25%.

Além disso, o BC reafirmou que a extensão do ciclo de flexibilização está condicionada à evolução das estimativas de juro neutro da economia e que a alteração do ritmo de corte dependerá do comportamento da atividade econômica, dos fatores de risco e das projeções e estimativas de inflação.

Paralelamente, as expectativas de inflação para 2017 seguiram em queda e permaneceram em torno de 4,5% para 2018. O BC reduziu o senso de urgência de corte da Selic por conta do desempenho da atividade econômica, ao sinalizar que, segundo suas estimativas, a economia mostra sinais de estabilização.

As incertezas em torno do cenário internacional e da política fiscal permanecem como fatores de risco para a condução da política monetária. Em relação ao cenário local, o BC manteve sua avaliação de importância da aprovação e implementação de reformas, em especial da reforma da previdência.

Esperamos novo corte de 1 p.p. da taxa Selic na próxima reunião, mantido o cenário atual. Ressaltamos que, caso haja alguma frustração com o desempenho da economia nos próximos meses, juntamente com maior desaceleração da inflação, a velocidade de queda da taxa de juros poderá aumentar nas reuniões posteriores.

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Cenário Econômico Internacional

FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou ligeiramente sua projeção de crescimento do PIB global para 2017, de 3,4% para 3,5%. A modesta revisão foi impulsionada, principalmente, pelas maiores estimativas de PIBs da China, da Área do Euro e do Japão.

A estimativa para o crescimento chinês foi revista de 6,5% para 6,6%. O PIB da Área do Euro também foi revisado em 0,1 p.p. para cima, devendo subir, de acordo com a instituição, 1,7% em 2017. No mesmo sentido, mas em maior intensidade, a projeção para o PIB japonês passou de 0,8% para 1,2%.

No caso específico das duas últimas economias citadas, o FMI espera que as políticas monetárias permaneçam acomodatícias. Não houve alteração na expectativa de expansão do PIB dos Estados Unidos, de 2,3%. A projeção para o crescimento do PIB brasileiro permaneceu em 0,2% para este ano e foi revisada para cima para 2018, de 1,5% para 1,7%.

Segundo o FMI, a economia brasileira deverá crescer de forma gradual à frente, diante da redução da taxa de juros e da aprovação das reformas.

Área do Euro

Apesar de os indicadores divulgados até agora sugerirem aceleração do crescimento da atividade econômica da Área do Euro no primeiro trimestre, a inflação ao consumidor desacelerou em março, segundo sua leitura final, em linha com o apontado pela prévia.

De fato, o índice de preços ao consumidor subiu 1,5% em março, de acordo com os dados divulgados pela Eurostat. O resultado, portanto, veio abaixo da elevação de 2,0% observada em fevereiro. A desaceleração foi generalizada dentre seus grupos.  O movimento dos preços de energia e de alimentos foram determinantes para a menor alta da inflação.

Merece destaque a elevação de 7,4% dos preços de energia, abaixo da expansão de 9,3% em fevereiro. Além disso, os preços de alimentação também apresentaram descompressão no período. Passaram de uma elevação de 2,5% para outra de 1,8%.

Na mesma direção, o núcleo, que exclui energia e alimentação, também desacelerou no período, ao avançar 0,7% (após três altas consecutivas de 0,9%). Parte deste movimento refletiu a menor elevação dos preços de serviços (1,0%, ante 1,3% observada anteriormente).

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Cenário Político

Nacional

Recuperação dos Estados

Após sucessivos adiamentos, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (18/4) o texto-base do projeto de lei que cria o Regime de Recuperação Fiscal dos Estados (RRF). Foram 301 votos favoráveis, 127 contrários e 7 abstenções.

O projeto tem como objetivo suspender por três anos o pagamento de dívidas dos governos estaduais com a União, mediante algumas contrapartidas dos Estados. O RRF será fundamental para a recuperação das finanças dos Estados mais endividados, como o Rio de Janeiro (que já havia aprovado algumas medidas definidas como contrapartidas).

Reforma Trabalhista

Além da votação do projeto de lei que cria o Regime de Recuperação Fiscal dos Estados, a semana também contemplou outras importantes votações na Câmara dos Deputados. A casa aprovou na quarta-feira (19/4) requerimento de urgência para a reforma trabalhista. Foram 287 votos favoráveis e 144 contrários.

Com isso, esta reforma poderá ser votada no plenário sem a necessidade de aprovação na comissão especial. Vale lembrar que sua aprovação requererá apenas votação em turno único e maioria simples. Dentre os principais pontos da reforma, destacam-se

  • a modificação do prazo para o trabalho temporário, de 90 para 120 dias;
  • mudança nas negociações entre empresa e trabalhadores, fazendo valer o negociado sobre o legislado em diversos pontos do contrato de trabalho;
  • a definição clara de que a terceirização pode valer para atividades meio e fim das empresas;
  • e o fim da obrigatoriedade de contribuição sindical.

Reforma da Previdência

Além disso, também na quarta-feira, o parecer do relator da reforma da Previdência, Arthur Maia, foi lido na Câmara. Dentre os principais pontos do texto que sofreram mudanças em relação ao divulgado anteriormente, merecem atenção:

  • a alteração da convergência da idade mínima para mulheres, que subiu de onze meses a cada dois anos para um ano a cada dois anos, se igualando à dos homens;
  • a regra de transição para servidores. que parte de 55 anos para mulheres e 60 para homens;
  • regra de aumento automático da idade mínima de aposentadoria quando houver revisão da expectativa de sobrevida
  • e alterações na aposentadoria rural, com idade mínima para mulheres recuando de 60 para 57 anos e o tempo de contribuição caindo 5 anos ante o proposto anteriormente, para 15 anos.

O parecer do relator será votado na comissão especial no próximo dia 2/5 (terça-feira). Assim, espera-se que a votação em primeiro turno na Câmara ocorra na segunda quinzena de maio.

Internacional

Os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen foram os mais votados no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, realizado no domingo (23/4). Considerando a apuração de 93% dos votos, Macron, do partido Em Marche!, recebeu 23,56% dos votos, ao passo que Le Pen, da Frente Nacional, obteve 21,94%.

Dentre as principais características dos candidatos, Macron foi Ministro da Economia entre 2014 e 2016. Além disso, é favorável à integração europeia e à redução do déficit público. Já Le Pen é deputada no Parlamento Europeu desde 2004. Adota uma posição mais protecionista/nacionalista e propõe que a França abandone o euro.

O segundo turno das eleições ocorrerá no próximo dia 7. A primeira pesquisa de intenções de votos, realizada pelo instituto Ipsos, aponta que Macron teria 62% dos votos e Le Pen, 38%.

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Destaques e Perspectivas

Nacional

Após as votações da agenda das reformas, as atenções estarão voltadas para as divulgações dos dados de arrecadação e das contas públicas de março, ao longo dos próximos dias.

Na quinta-feira (27/4), será conhecido o resultado primário do Governo Central, referente ao mês de março. No dia seguinte, o Banco Central divulgará o resultado primário consolidado. Além disso, nesta terça-feira (25/4), teremos a nota do setor externo de março com os dados da conta corrente e Investimento Direto no País.

Em relação à inflação, após os dados do IPCA-15 apontarem para inflação ligeiramente abaixo do centro da meta nos últimos doze meses, o resultado do IGP-M de abril, a ser conhecido na quinta-feira, deverá reforçar nossa expectativa de continuidade de desinflação.

A agenda doméstica também contará com a leitura da Pnad Contínua de março, na sexta-feira (28/4). Considerando o resultado negativo do mercado formal, reportado pelo Caged na semana passada, a taxa de desemprego deve ter alcançado 13,5% no período, com a manutenção do ritmo de queda da população ocupada. Por fim, ao longo da semana, a FGV divulgará os resultados das sondagens referentes a abril.

Internacional

A agenda internacional terá como destaque a primeira leitura preliminar do PIB dos Estados Unidos, na sexta-feira, referente ao primeiro trimestre deste ano. Os indicadores coincidentes sugerem crescimento mais moderado da atividade no período, compatível com maior gradualismo da normalização da política monetária.

No mesmo dia, será divulgado o PIB do Reino Unido, também do primeiro trimestre, e a prévia do índice de inflação ao consumidor da Área do Euro de abril, que deverá mostrar continuidade da desaceleração dos preços de energia. Além disso, merecem destaques as decisões de política monetária do Japão e da Área do Euro, ambas na quinta-feira.

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Destaque AE 034

O Congelamento que não Deu Certo - Destaque AE 034

A Análise Econômica se posicionou contra o congelamento dos gastos federais por vinte anos (Emenda Constitucional nº 95 de 2016). Na ocasião, três “problemas-chave” eram evidentes em nossas análises:

  1. A linearidade do processo de congelamento. O Brasil passa por uma transformação populacional rápida e isso deve onerar, em maior medida, as pastas que estão ligadas à área da saúde. A seguridade social também entra nesse jogo;
  2. A escassa (ou quase inexistente) discussão acerca do resultado nominal. Se por um lado, não pesa no resultado primário, por outro, é um componente de suma importância quando falamos de política monetária. Por sua vez, o resultado nominal tem influência direta na criação ou não do resultado primário positivo. Por exemplo: um aumento da taxa básica de juros, como se deu recentemente, tende a diminuir a atividade econômica. Com isso a arrecadação diminui e traz resultados primários positivos menores. Com o passar do tempo, podem causar déficits primários e gerar um ciclo vicioso; e
  3. O problema do descasamento entres receitas e despesas está intimamente ligado à necessidade de uma reforma tributária ampla. Tal reforma precisa levar em consideração que, que em termos de valor adicionado ao PIB, o setor de serviços representa mais de 73% da riqueza produzida no país. Hoje tributamos pesadamente o consumo e, classicamente, a renda. Com a evolução e a complexidade das estruturas produtivas (especialmente numa era digital), discutir tributação é fundamental.

Faz sentido para nós que a contenção de gastos é um movimento necessário. Essa necessidade é reforçada diante da forma escancarada que vemos diariamente o que tem sido feito com boa parte dos recursos públicos com o avanço da Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal.

No entanto, os três problemas que destacamos são pontos que exigem uma discussão ampla. Especialmente se quisermos que isso seja um legado de verdade para o país. E não uma atitude pontual apenas para fins eleitorais e políticos.

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O congelamento dos gastos foi aprovado no final de 2016. O tema é de extrema importância para o país e seguirá determinando nosso desempenho nos próximos anos.
Tem interesse pelo tema? Quer saber mais? #SejaPRO.

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Este é o Boletim Econômico Semanal 065 PRO, exclusivo para assinantes.

Este relatório tem como foco apresentar as projeções, perspectivas e expectativas dos indicadores econômicos mais relevantes da semana corrente selecionados por nós para fornecer a você, nosso leitor, o cenário de curto prazo.

Neste semanal 065 PRO, os indicadores econômicos mais relevantes na nossa leitura são:

  • Indicador antecedente do nível de preços do Brasil (IPCA-15);
  • Notas sobre a decisão de política monetária (Selic) do Banco Central;
  • Produção industrial dos Estados Unidos;
  • Índice de Preços ao Consumidor e dados da balança comercial da Área do Euro;
  • Cenário político e mais.

Para manter-se atualizado com o que aconteceu na economia e seus desdobramentos, leia o Boletim Econômico Semanal 065.

VISÃO GERAL DO SEMANAL 065 PRO

Visão geral dos indicadores. Boletim Econômico Semanal 065 PRO.

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Presidente Michel Temer, ministros Henrique Meireles e Antonio Imbassahy e presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em reunião - Boletim Econômico Semanal 065

Neste Boletim Econômico Semanal 065 destacamos:

  • Atividade Econômica mais firme, especialmente após revisões nos dados do IBGE;
  • China segue com economia forte;
  • Cenário político é bastante controverso e sugere atenções redobradas.

Acompanhe a seguir os principais tópicos deste Boletim Econômico Semanal 065 e, logo em seguida, nossa análise. Navegue pelos tópicos para ir aos itens que mais te interessar.

Qualquer dúvida, crítica, sugestão, ideia etc, deixe seu comentário abaixo que a gente responde.

    1. Cenário Econômico Nacional
    2. Cenário Econômico Internacional
    3. Cenário Político
      1. Nacional
      2. Internacional
    4. Destaques e Perspectivas

Cenário Econômico Nacional

Atividade Econômica

Impulsionado pelas revisões dos dados de vendas do varejo e de receitas de serviços, o IBC-Br, prévia mensal do PIB, registrou alta. Na passagem de janeiro para fevereiro, descontados os efeitos sazonais, o índice subiu 1,31 por cento.

O resultado surpreendeu positivamente todo o mercado que esperava alta mais moderada. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 0,73%, acumulando recuo de 3,56% nos últimos doze meses.

Também merece destaque a revisão do dado de janeiro, que passou de uma queda de 0,30% para uma expansão de 0,62%, influenciada pelas alterações metodológicas da PMC e da PMS, ambas do IBGE.

Agricultura

A nova revisão altista das estimativas para a safra de grãos de 2016/2017 corroborou o cenário de expansão recorde da produção. O desempenho do setor deverá impulsionar o crescimento do PIB deste ano, cujo impacto será observado principalmente no primeiro trimestre.

A área plantada somou 60,1 milhões de hectares, uma expansão de 3,0% ante a safra passada. A produção total de grãos deve alcançar o recorde de 227,9 milhões de toneladas. Isso equivale a uma alta de 22,1% em relação à safra anterior.

Na comparação com o levantamento anterior, a Conab revisou a produção total de grãos em mais 5 milhões de toneladas. Destaque para 2,5 milhões a mais de milho e de 2,5 milhões de toneladas a mais de soja.

O incremento da produção de grãos deve continuar favorecendo a baixa de seus preços domésticos. Com isso, custos nos segmentos de carnes e de leites e derivados deveram registrar alívio. Além disso, deve proporcionar relevante incremento da renda agrícola nas regiões produtoras de grãos do país.

Comércio e Serviços

Os últimos dados de vendas do varejo trouxeram importante revisão das séries históricas, diante da mudança metodológica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). Assim, os resultados de janeiro apresentaram forte elevação, ao contrário da queda mostrada em sua primeira divulgação.

As vendas reais do comércio varejista restrito recuaram 0,2% entre janeiro e fevereiro, descontados os efeitos sazonais, de acordo com a PMC. O resultado veio em linha com nossa projeção, mas bastante inferior às expectativas do mercado. A surpresa foi explicada, pelo menos em parte, pela mudança metodológica da pesquisa.

Assim como os dados de varejo, as informações do setor de serviços também foram impactadas por mudanças metodológicas. O volume de vendas de serviços subiu 0,7% entre janeiro e fevereiro, descontada a sazonalidade, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Destacamos a forte revisão do dado de janeiro, de uma queda de 2,2% para uma alta de 0,2%. Dentre os três segmentos que entram no cômputo do PIB, entretanto, dois apresentaram quedas em fevereiro. Os serviços de informação e comunicação e os outros serviços caíram 1,5% e 0,5%, respectivamente.

Dessa forma, caso o PIB abranja tais mudanças metodológicas, que nos parece ser o caso mais provável, o resultado do primeiro trimestre deverá mostrar alta mais intensa que a esperada anteriormente. Ainda assim, a atividade agrícola será fundamental para o crescimento no período.

Taxa de Juros

Em linha com as expectativas, o Copom optou por reduzir a taxa de juros em 1,00 p.p., de 12,25% para 11,25% a.a. Conforme apontado pelo comunicado da decisão, essa intensificação do ritmo de flexibilização em relação a janeiro e fevereiro (quando a Selic tinha recuado 0,75 p.p.) foi definida como “adequada”.

O comitê atualizou seu cenário e balanço de riscos. Destaque para a visão de que a atividade econômica se estabilizou no curto prazo. Além disso, para o Comitê, houve consolidação da queda do nível geral de preços dos itens mais sensíveis ao ciclo econômico.

Para o balanço de riscos, houve destaque para a aprovação e a implementação de reformas. O Comitê também chamou atenção para a importância dessas reformas para a determinação da taxa de juros estrutural. Diante disso, parece-nos que a Selic encerrará este ano em torno de 8%.

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Cenário Econômico Internacional

Em linha com o sugerido pelos indicadores conhecidos ao longo dos últimos dias, o crescimento da economia chinesa seguiu firme no primeiro trimestre deste ano. O movimento evidencia o impacto da expansão de crédito iniciada no começo do ano passado, que deu sustentação aos investimentos e à produção industrial.

Assim, o PIB cresceu 6,9% nos primeiros três meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, superando as expectativas (6,8%) e a expansão registrada no quarto trimestre de 2016 (6,8%). Considerando a variação trimestral, entretanto, houve desaceleração do crescimento, de 1,7% para 1,3%, entre o quatro trimestre do ano passado e o primeiro deste ano.

Para tanto, a produção industrial avançou 7,6% em março, acelerando ante a alta de 6,3% registrada no primeiro bimestre. Os investimentos em ativos fixos (máquinas, equipamentos, instalações etc), na mesma direção, mostraram elevação de 9,2% no acumulado deste ano.

Cabe ressaltar que os investimentos no setor imobiliário seguiram em crescimento. Paralelamente, os investimentos em infraestrutura apontaram moderação. As vendas do varejo, por sua vez, cresceram 10,9%, superando as expectativas ante expansão de 9,5% verificada em janeiro e fevereiro. Dessa forma, mantendo este ritmo, a meta chinesa de crescimento do PIB em 6,5% será alcançada neste ano.

De todo modo, entendemos que ao longo dos próximos trimestres, a economia chinesa deverá mostrar alguma moderação, respondendo à política monetária mais prudente, alinhada a sinalização dada pelo governo nos últimos meses. Além, é claro, de um cenário internacional adverso.

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Cenário Político

Nacional

Operação Lava Jato

A semana que passou foi bastante conturbada. A lista de envolvidos na Lava Jato divulgada pelo ministro do STF, Edson Fachin, e a divulgação do material das delações premiadas da Odebrecht balançaram fortemente o cenário político. Muitos políticos importantes foram citados e tiveram inquéritos abertos.

Para elucidar, o inquérito é uma fase “preliminar” de um processo. Abre-se um inquérito para investigar com mais detalhes o envolvimento de suspeitos em crimes, esquemas etc. Após a fase do inquérito, se comprovado o envolvimento, o indivíduo se tornar réu e entra em julgamento.

A lista envolve ex-presidentes, governadores, senadores, deputados, ex-ministros, ministros e, inclusive, o atual presidente da república, Michel Temer.

Reforma da Previdência

E na esteira dos grandes acontecimentos, Temer pediu na noite de domingo de páscoa (16/4) a parlamentares aliados e ministros que atuem para manter o cronograma de votação da reforma da previdência no Congresso. A proposta poderia estar em risco de atraso após a abertura de inquérito após as revelações de delatores da Odebrecht.

Temer defendeu que todos se empenhem para mostrar normalidade no Brasil.

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, Carlos Marun (PMDB-MS), disse na saída do encontro que Temer se inteirou das últimas tratativas sobre pontos da proposta discutidas entre o relator da matéria, Arthur Maia (PPS-BA), e a equipe econômica.

Na reunião, ficou acertado que o relator vai apresentar o parecer para o presidente e a base aliada do governo na terça-feira. Segundo Maia, o objetivo será mostrar claramente que as negociações com o governo foram capazes de absorver todas as mudanças defendidas pelas bancadas.

Em seguida, haverá um encontro entre relator, Temer e senadores da base para lhes mostrar o que foi mudado da proposta original em relação ao texto que está prestes a ir à votação. Por fim, o presidente da comissão especial abrirá a reunião do colegiado para que Maia faça a leitura do seu parecer.

A expectativa do Palácio do Planalto é que se consiga 80 por cento dos votos para aprovar a proposta na comissão especial.

Internacional

As ações de Trump ainda ecoam pelo mundo. O fracasso (ou sabotagem) do lançamento do míssil de longo alcance norte coreano também ecoa globalmente. Principalmente após a demonstração de força americana no Afeganistão com o lançamento da “mãe de todas as bombas“. Mesmo considerando um número reduzido de baixas, o uso da bomba foi um claro sinal à Coreia do Norte.

Com Rússia, China, Japão, Coreia do Sul envolvidos na situação, existe a possibilidade iminente de escalada do evento. Essa possibilidade requer atenções redobradas. Um evento político-militar dessa proporção, com elevado poder de fogo envolvido, pode ser bastante perigoso para o mundo.

E, como é de se imaginar, tudo isso tem desdobramentos diretos sobre os países emergentes.

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Destaques e Perspectivas

Após a intensificação do ritmo de corte da taxa Selic, favorecido pela consolidação da tendência de queda dos preços, os primeiros indicadores de inflação de abril deverão seguir a mesma tendência. Esperamos leve alta do IPCA-15 do período, a ser conhecido na quinta-feira (20/4).

Complementando a agenda, teremos nesta terça-feira (18/4), a divulgação da Ata do Copom. O Banco Central poderá trazer detalhes adicionais relativos à sua última decisão. Mais importante, contudo, serão as sinalizações relacionadas à extensão do ciclo e ao ritmo dos próximos cortes.

Por fim, na agenda política, as atenções também estarão voltadas à apresentação do parecer do relator da reforma da previdência, que ocorrerá na terça-feira.

No exterior, destacamos a divulgação da produção industrial norte-americana de março, que ocorrerá terça-feira.

Além disso, na sexta-feira, teremos as leituras preliminares dos índices PMI composto dos EUA e da Área do Euro, que serão os primeiros indicadores de atividade referentes a abril.

Acompanhe a agenda completa clicando aqui.

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