Conteúdo

0
Comercial: vamos falar de coisa boa!
Imagem: Canal Youtubiu.

“Vamos falar de coisa boa?”

A ideia desse título era começar com um trocadilho de uma das propagandas que mais colou na mente dos brasileiros por anos a fio: a câmera “faz-tudo”, “a câmera mais vendida do país”! Mas desisti de fazer piada com o trocadilho… Não sou tão bom piadista.

Ainda assim, “a câmera mais vendida do país” pode nos servir como um bom exemplo para retomar pontos importantes da discussão. A ideia aqui é, portanto, fugir um pouco da temática que discutimos nos últimos dois editoriais: a incerteza. Mas não se engane: não significa que o cenário para 2017 mudou. Significa, isso sim, que queremos mostrar “o outro lado da moeda”.

Que 2017 será um ano complicado, isso já está evidente (dissemos isso aqui e aqui). Felizmente somos seres munidos de boa carga de esperança e, com o ano novo que se iniciou, as esperanças foram renovadas e assim o é continuamente.

Tá, e a tal câmera?

Bem, impressiona que uma empresa pouco conhecida no mercado tenha conseguido vender por tanto tempo um produto com reconhecidamente de qualidade inferior do que produtos muito mais conhecidos e consolidados no mercado – veja esse pequeno infográfico da TecMundo para ter uma ideia. Eles também analisaram o porquê do preço tão elevado.

Isso reforça que sempre (sempre mesmo) haverá mercados para determinados produtos e serviços. Mesmo na crise. Quando pensamos, por exemplo, em ganhos ou em renda, é interessante notar que no mercado financeiro, só perde dinheiro quem está mal informado ou que não construiu um cenário suficientemente claro: não levou em consideração variáveis consistentes.

E na “economia real” a situação é similar. Já ouviu falar de nichos? Sazonalidade? Inovação? Pois é… Mesmo em momentos de crise, mesmo quando parece complicado, há oportunidades.

Mas, para não ficar no mero discurso motivacional, aqui vai uma reflexão teórica. O que dá valor às coisas, ou seja, o quer faz com que elas sejam trocadas, é o trabalho humano combinado à utilidade que essas coisas tem.

Você não pagaria pela água de um rio que está a sua frente, certo?

Mas, ainda assim, você pagaria muito por essa mesma água, se estivesse em uma região distante e em que essa água fosse escassa. Nesse processo está envolvido o trabalho humano de pegar a água do rio, filtrar, embalar e transportar, além da utilidade que obviamente essa água tem para o consumidor.

Em suma, duas coisas são importantes: entender o consumidor (o que ele quer, o que ele precisa, como atender sua necessidade etc) e entender a economia (as estruturas de mercado, os nichos, as sazonalidades, os cenários, custos e benefícios etc).

Afinal, se até aquela câmera vendeu (e, mais uma vez, não era nada barato), por que você não conseguiria?

Dúvidas, críticas e sugestões? Entre em contato conosco.

0
Presídio

A primeira semana do ano começou cheia de “fortes emoções”.

  • Atentado na Turquia;
  • Incertezas em torno do governo Trump;
  • Desgastes diplomáticos entre EUA x Rússia;
  • Forte valorização da moeda chinesa;
  • Profundas incertezas na política brasileira com a eleição do presidente da Câmara dos Deputados;
  • Continuidade da crise institucional, em especial, nesse começo de ano, em torno da renegociação da dívida dos estados;
  • Massacres em presídios brasileiros na região norte do país que já trouxe a óbito mais de 90 pessoas.

E a lista vai além…

Como havíamos dito no editorial da semana anterior <veja aqui>, muitas “tendências” de 2016 se manterão ao longo de 2017, gerando grandes incertezas. Repetimos uma palavra-chave: parcimônia.

Olhando especialmente para o Brasil, estamos cheios de desafios. E as incertezas não se restringem ao ano corrente (2017). Já se fala das incertezas para 2018, especialmente em torno da eleição presidencial, uma vez que muitos políticos estão envolvidos em escândalos de corrupção e, a priori, faltam líderes isentos de envolvimento para compor um novo pacto social e unir o país.

Essa semana, circulou nas redes sociais uma frase do grande antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, autor do clássico “O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil“, publicado em 1995.

A frase em questão é:

darcy-ribeiro-1982

Ironia do destino ou não, o ano começou, dentre outras coisas, chamando atenção para o problema da crise no sistema carcerário.

E no meio de toda essa bagunça, muito tem se falado sobre “priorizar a retomada do crescimento econômico”, reforma da previdência etc.

Outros caminhos.

Pode soar estranho, especialmente vindo de uma equipe de economistas, mas talvez seja a hora de estabelecer um diálogo sério e amplo sobre questões que concernem a nossa estrutura. Questões naturalmente delicadas.

Em suma, não se trata de deixar o debate sobre retomar o crescimento econômico de lado. Mas, sendo um pouco pessimista, o bonde da história já está passando e estamos no meio de uma crise severa, não somente de cunho econômico, mas majoritariamente político.

O Brasil é um país de aproximadamente R$ 6 trilhões de produção anual, temos quase 210 milhões de habitantes, recursos naturais abundantes e muitas outras “benesses”. Portanto, talvez seja a hora de criar coragem e debater as questões mais profundas da nossa formação sócio-histórica.

Utopia? Talvez… Mas, aproveitando o clima de começo de ano, porque não fazer tal resolução?

Dúvidas, críticas e sugestões? Entre em contato conosco.

2

Certamente hoje é um novo dia, de um ano novo. Mas de um novo tempo, há controvérsias. O conturbado ano de 2016 ficou pra trás e 2017 inicia com grandes expectativas. Ao menos, esperamos não repetir 2016. Mas será que 2017 será um ano tão diferente?

As maiores surpresas do ano que se encerrou foram a decisão do Brexit no fim de junho, quando — apesar de todas as expectativas dizendo o contrário — o eleitorado do Reino Unido votou a favor da saída do país da UE, fazendo os mercados entrarem em parafuso por alguns dias e dando uma rasteira na libra.

Mas tão logo os mercados pareciam ter recuperado a consciência, os eleitores americanos vieram com o próximo baque, provavelmente ainda maior: a eleição de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos. Sem contar os diversos atentados terroristas que assolaram o mundo e a política monetária ultraexpansionista em curso em diversas nações.

Aqui por terras tupiniquins rolou o histórico impeachment da agora ex-presidente, Dilma Rousseff. Delações premiadas derrubaram diversos ministros e colocaram o nome do então presidente, Michel Temer, no meio de casos de corrupção.

Foi PEC para limitar os gastos públicos por 20 anos, proposta de reforma da previdência para os trabalhadores ficarem um tanto mais de tempo na labuta, reforma do ensino médio, protestos para todos os lados e a economia segue sem grandes perspectivas – e tentativas não faltam para tentar reanimá-la.

E no meio desse turbilhão, a pergunta de um bilhão de dólares é: o que esperar de 2017?

O cenário base da Análise Econômica Consultoria tem uma palavra-chave: incerteza. Se existe uma garantia sobre as previsões para este ano que se inicia é que será impossível prever corretamente o que ocorrerá na política e economia brasileira.

Quem acertar a tendência e minimamente a dimensão das projeções terá um ano de grandes lucros pela frente.

Sobre a economia, o cenário traçado é mais benigno do que o de 2016, até porque no curto prazo não há nada que indique uma grande inflexão. No entanto, todas as previsões econômicas dependem de um fator-chave que é difícil de ser mensurado: os próximos alvos da Lava Jato.

Hoje, não é possível cravar quem comandará o país no final do próximo ano. Michel Temer enfrentará uma dura batalha no TSE para manter seu cargo mesmo após as seguidas denúncias de uso de caixa dois pela chapa encabeçada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2014.

O núcleo próximo ao presidente e a sua base de apoio no Congresso deverão ser fortemente abalados pela divulgação das delações dos executivos da Odebrecht, assim como pelo avanço das investigações em Curitiba e na Procuradoria-Geral de República, em Brasília.

O parlamento e o poder executivo não estão alinhados com o ímpeto do poder judiciário, que passa a ameaçar o cargo de importantes políticos. O cenário é desafiador. Sabendo que o início da crise econômica em que estamos inseridos veio justamente da instabilidade política, nesse mar de incertezas e reviravoltas a palavra-chave que devemos manter em mente é parcimônia.

De fato, hoje é um novo dia, de um novo ano, mas de um novo tempo… Ainda não!

Dúvidas, críticas e sugestões? Entre em contato conosco.

2

A realidade é complexa. Por complexidade entendemos um sistema composto de muitos elementos, camadas e estruturas, cujas inter-relações condicionam e redefinem continuamente o funcionamento do todo.

Assim sendo, uma das questões que sempre estão presentes nas discussões econômicas são os chamados axiomas.

Um axioma é uma premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira, fundamento de uma demonstração, porém ela mesma indemonstrável, originada, segundo a tradição racionalista, de princípios inatos da consciência ou, segundo os empiristas, de generalizações da observação empírica.

O elemento que devemos destacar é o caráter indemonstrável dos axiomas. Como é possível basear as análises da realidade e ações sobre a realidade a partir de premissas que não podem ser testadas, validadas, demonstradas?

Milton Friedman, em seu clássico artigo de 1953, intitulado “The Methodology of Positive Economics” (A Metodologia da Economia Positiva, em tradução livre), afirma que de fato, não precisamos saber se os axiomas são razoáveis, basta ver se as previsões do modelo o são.

Mas e quando nem os resultados do modelo são assertivos como se espera que sejam? Aí temos um problema sério…

É por isso que consideramos de suma importância as reflexões dentro do campo da economia política.
Recentemente, por exemplo, o preço do petróleo está em queda. Na realidade, é um movimento, como podemos notar na imagem abaixo, de longo prazo.

cotacao-petroleo-investing-11112016

A última cotação do barril de petróleo de 11/11/2016 ficou em US$ 43,13. E é aí que entra a importância da reflexão aqui proposta.

Os modelos econômicos tradicionais consideram somente as “forças de mercado”, ou seja, oferta e demanda, como determinantes dos preços. Alguns dos axiomas que embasam essa análise são informação completa, racionalidade e elevado número de agentes no mercado.

A ciência econômica avançou bastante, mas mesmo os modelos mais modernos ainda partem dessas bases “axiomáticas”.

Aí entra nossa contribuição: e no caso do preço do petróleo?

Existem uma miríade de forças que atuam sobre a cotação do petróleo muito além das forças de oferta e demanda. Não se trata aqui de tentar desconsiderar ou anular o papel das forças de mercado, mas ao contrário, evidenciar que existem mais elementos. Destacamos pelo menos dois: as inovações tecnológicas e a concentração de mercado.

As inovações tecnológicas não são consideradas nos modelos tradicionais, pois ferem algumas premissas como, por exemplo, o equilíbrio. Uma economia que inova está sempre em desequilíbrio. E, obviamente, que isso afeta o preço. Com o petróleo não é diferente.

Diversas inovações que possibilitaram o uso de diferentes fontes energéticas – em especial as ditas “fontes de energia limpa” -, tem substituído o uso de petróleo e, por conseguinte, elevado os estoques de barris, levando à queda do preço.

De todo modo, as inovações, especialmente as novas fontes energéticas, ainda não tem força suficiente para fazer frente ao petróleo. Mas não desconsideramos seus impactos. Vale destacar que setembro de 2016, foi o mês com um dos maiores consumos de petróleo na história segundo os relatórios da OPEC – Organization of the Petroleum Exporting Countries, ou Organização dos Países Exportadores de Petróleo em tradução livre.

Mas tem um outro fator até mais significativo: a concentração de mercado. Existem poucos grandes players no mercado de petróleo. Sem sombra de dúvidas, o maior player é a Rússia. Outro grande player é a Arábia Saudita.

Quando se concentra o mercado, concentra-se consequentemente o poder. E esses players tem o poder de modificar, por exemplo, o preço a partir de decisões que não são estritamente de ordem econômica, mas de ordem política.

Reflita: qual a lógica de elevar o estoque só para derrubar os preços? A resposta certamente possui grandes elementos de política em detrimento de economia pura – se é que existe algo do tipo.

Os números falam muito mais do que se imagina. O ponto central, portanto, é que há muitos outros elementos para explicar a queda do preço do barril de petróleo do que somente as forças de mercado. Como ressaltamos, também há inovações tecnológicas e a concentração de mercado.

Mas, vale a provocação deixada pelo grande músico Belchior: “E o que há algum tempo era jovem novo / Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer / (…) / No presente a mente, o corpo é diferente / E o passado é uma roupa que não nos serve mais”.

Dúvidas, críticas e sugestões? Entre em contato conosco.

0

A Análise Econômica é uma consultoria econômico-financeira com a expertise em produzir estudos que apresentam uma leitura clara, completa e objetiva da realidade econômica. Buscamos diariamente produzir análises que, de fato, permitam que os visitantes de nosso site, bem como nossos clientes, possam tomar decisões mais assertivas na vida financeira e nos negócios. Ainda mais em um ambiente inundado por informações (muitas vezes confusas) divulgadas nos mais diversos meios de comunicação.

E, felizmente, ampliamos o nosso alcance. Estabelecemos uma parceria com o gigante Investing.com.

A Investing.com

Fundado em 2007, o site Investing.com é uma fonte definitiva de ferramentas e informações relacionadas aos mercados financeiros, tais como cotações, fluxo contínuo de gráficos em tempo real, notícias financeiras atualizadas, análise técnica, lista e diretório de corretoras, calendário econômico, ferramentas e calculadoras.

A página oferece informações detalhadas sobre câmbio, índices, ações, futuros, opções, produtos, taxas e títulos. Com um público leitor crescente em todo o mundo, o site Investing.com é um portal financeiro líder global que está constantemente empenhado em lançar funções e seções inovadoras para garantir uma fonte completa para seus leitores.

Os números do site Investing.com são surpreendentes:

  • 11.600.000 de visitantes únicos mensais;
  • 380.000.000 de pageviews mensais;
  • 690.000 de visitantes móveis diários.
A parceria

A Análise Econômica Consultoria publicará semanalmente no portal Investing.com as análises políticas e econômicas, nacionais e internacionais, que temos produzido desde o início de nossas atividades. Acreditamos que nossas análises também darão aos leitores do Investing.com uma visão clara, completa e objetiva da economia para, assim, elaborar melhores cenários de mercado para embasar suas decisões.

Dúvidas, críticas, sugestões, opiniões, ideias etc? Entre em contato conosco.

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS