É verdade que alguns indicadores perderam fôlego. Em 2025, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados registrou abertura de 1,27 milhão de vagas formais, o menor saldo anual desde 2020. Nos trimestres finais do ano, também houve aumento nos pedidos de seguro-desemprego, reforçando a leitura de desaceleração na margem.
Mas, quando olhamos o quadro completo, a conclusão é diferente.
A taxa média de desemprego em 2025 ficou em 5,6%, a menor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. No quarto trimestre, a desocupação recuou para 5,1%, 1,1 ponto percentual abaixo do mesmo período de 2024. Em seis estados houve queda adicional no último quarto do ano, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo nas unidades com taxas mais elevadas, o nível agregado permanece historicamente baixo.
Além disso, a renda segue resiliente. O rendimento médio real do trabalho avançou 5,7% em 2025, alcançando R$3.560. A massa de rendimentos reais cresceu 6,4% no último trimestre do ano. Isso indica que, mesmo com perda de tração no emprego formal, não houve deterioração relevante na capacidade de geração de renda.
Parte dessa sustentação está ligada à mudança estrutural do mercado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o número de trabalhadores em plataformas digitais cresceu cerca de 25% entre 2022 e 2024, chegando a 1,7 milhão de pessoas. Esse segmento funciona como mecanismo de absorção e ajuda a evitar quedas abruptas na ocupação e na renda.
Por isso, a leitura mais consistente para 2026 é de acomodação, não de deterioração. A taxa de desemprego pode subir levemente, mas ainda deve permanecer em patamar historicamente baixo, em 5,4% no final do ano, segundo nossa projeção. Isso caracteriza um mercado relativamente menos aquecido, porém ainda sólido.
E essa resiliência importa para a inflação.
Se o mercado de trabalho não está enfraquecendo de forma significativa, a desinflação recente tende a estar mais associada ao comportamento das commodities e do câmbio do que a um efeito direto da política monetária sobre a demanda. Com renda sustentada e desemprego baixo, a desaceleração dos preços parece muito mais conectada ao ambiente externo do que a uma compressão expressiva do consumo doméstico.
A discussão, portanto, não é se o mercado de trabalho vai virar a chave em 2026. É entender que ele mudou de composição e segue funcionando como amortecedor da atividade. E isso altera a forma como devemos interpretar a dinâmica da inflação e o papel dos juros no ciclo atual.
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