Brasil: retomada da atividade com inflação e juros no radar
A produção industrial cresceu 0,1% em março frente a fevereiro, superando a expectativa de queda
de 0,1%. Na comparação anual, o setor avançou 4,3%. O Copom tentou justificar o corte de 0,25% como um “ajuste fino”, sem compromisso com novos cortes, enfatizando cautela diante da incerteza global e da desancoragem das expectativas. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$10,5 bilhões em abril. Este foi o maior resultado nominal mensal desde maio de 2023. O PMI industrial subiu para 52,6 pontos em abril, superando os 49,0 de março e atingindo o nível mais alto em 14 meses, o que sinaliza a primeira expansão do setor após um ano de retração.
O PMI de Serviços, por sua vez, subiu para 53,2 pontos no mês passado, ante 51,4 em março, sinalizando a expansão mais forte do setor em quase dois anos. O PMI Composto subiu para 52,4 pontos no mesmo período, recuperando-se da contração de 49,9 em março e registrando o ritmo de expansão mais forte para o setor privado desde março de 2025. O IGP-DI avançou 2,41% em abril, ligeiramente acima das projeções de 2,39% e também do resultado do mês anterior, de 1,14%.
Cenário internacional: bancos centrais cautelosos e crescimento moderado
Nos EUA, o payroll registrou a criação de 115 mil vagas em abril, superando amplamente a projeção de 65 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. O número de vagas de emprego em aberto nos EUA caiu para 6,87 milhões em março, um recuo dos 6,92 milhões de fevereiro, mas acima das expectativas do mercado (6,84 milhões). Já o número de novos pedidos de auxílio-desemprego foi de 200 mil na última semana. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, de 205 mil, e acima dos 190 mil da semana anterior
As encomendas à indústria americana avançaram 1,5% em março, acima tanto das expectativas do mercado (+0,5%), quanto do resultado anterior (+0,3%). Na Zona do Euro, o PMI industrial avançou para 52,2 em abril, acima dos 51,6 registrados em março. Entretanto, no PMI composto, segue em retração (48,8). Na Alemanha, as encomendas à indústria saltaram 5,0% em março, acima da previsão de 1,0%. Já a produção industrial caiu 0,7% no mesmo período, ante queda de 0,5% no mês anterior.
Em resumo
No Brasil, os dados recentes indicam uma recuperação da atividade econômica, com crescimento da produção industrial, melhora significativa dos PMIs e forte superávit da balança comercial. O setor privado voltou a expandir de forma mais consistente, embora a inflação ao produtor siga pressionada. Ao mesmo tempo, o Copom reforçou uma postura cautelosa, tratando o corte de juros como um ajuste pontual diante de um ambiente ainda incerto.
No cenário internacional, os Estados Unidos seguem mostrando resiliência no mercado de trabalho e na indústria, com criação de vagas acima do esperado e avanço nas encomendas industriais. Já a Europa apresenta sinais mais heterogêneos, com melhora na indústria, mas ainda com fragilidade no conjunto da atividade. O ambiente global continua marcado por contrastes entre força econômica e incertezas à frente.



