Brasil: atividade desacelera enquanto inflação mantém o Banco Central em alerta
O Banco Central deu continuidade ao ciclo de cortes de juros, cortando a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. O Copom não deixou sinais claros sobre os próximos passos da política monetária. O IGP-10 recuou 0,30% em junho, abaixo das expectativas de alta de 0,30% e do resultado de maio de +0,89%. Em 12 meses o indicador acumula alta de 2,15%. As vendas no varejo recuaram 1,5% em abril, expressivamente abaixo das projeções de queda de 0,6%. Em 12 meses, acumula alta de 1,5%, também abaixo dos 1,8% registrados em março.
O IBC-Br subiu 0,5% em abril, ligeiramente abaixo das projeções de +0,6%. O índice acumula expansão de 1,6% nos últimos 12 meses, o menor ritmo nessa comparação desde maio de 2021. O fluxo cambial registrou entrada líquida de US$1,5 bilhões na última semana, ante US$2,6 bilhões da penúltima leitura. O saldo líquido do mês, até o dia 12, está positivo em US$4,1 bilhões. O Boletim Focus divulgado na última sexta (12) mostrou que as expectativas para a inflação final de 2026 subiram para 5,30%.
Cenário internacional: bancos centrais mantêm cautela diante de inflação e atividade resiliente
Nos EUA, o Fed optou novamente pela manutenção da taxa básica de juros em junho, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O comitê adotou um tom duro em meio às pressões inflacionárias. As vendas no varejo norte-americano avançaram 0,9% em maio, acima das expectativas de alta de 0,5% e do resultado anterior de +0,4%. A produção industrial, por sua vez, cresceu 0,1% em maio. O resultado ficou ligeiramente abaixo das projeções do mercado financeiro e do resultado de abril, quando a produção cresceu 0,9%.
Foram registrados 226 mil novos pedidos por seguro-desemprego nos EUA na semana passada, em linha com as projeções de 225 mil e ligeiramente abaixo do resultado anterior (230 mil). No Reino Unido, a taxa básica de juros foi mantida em 3,75% na reunião do BoE de junho. 7 membros votaram na manutenção, contra 2 votos a favor do aumento da taxa. No Japão, o BoJ aumentou a taxa de juros de 0,75% para 1,00% na reunião de junho, o maior nível em 31 anos. Na China, as vendas no varejo caíram 0,6% nos últimos 12 meses encerrados em maio. O resultado ficou abaixo do resultado anterior (+0,2) e caiu ao menor nível desde dezembro de 2022.
Em resumo
No Brasil, o Banco Central reduziu a Selic para 14,25% ao ano, mas evitou sinalizar os próximos passos da política monetária. Os indicadores da semana reforçaram um cenário de desaceleração da atividade, com queda expressiva das vendas no varejo e avanço mais moderado do IBC-Br. Apesar da deflação registrada no IGP-10, as expectativas de inflação continuaram piorando, enquanto o fluxo cambial permaneceu positivo.
No cenário internacional, o Federal Reserve manteve os juros inalterados e adotou um discurso mais rígido diante das pressões inflacionárias e da força da economia americana. Reino Unido também preservou sua taxa básica, enquanto o Japão elevou os juros ao maior nível em 31 anos. Já a China voltou a mostrar sinais de enfraquecimento do consumo, reforçando um ambiente global marcado por políticas monetárias cautelosas e crescimento desigual entre as principais economias.



