Cenário nacional: Copom corta juros em meio à desaceleração da atividade
O Copom optou por mais um corte de 0,25%, levando a Selic a 13,75% ao ano. Com a reunião de setembro, esta foi a quinta redução consecutiva. O IBC-Br recuou 0,22% em julho, segunda queda mensal consecutiva após o -0,88% em junho.
O indicador confirma a desaceleração já apontada pelo varejo e serviços no mesmo mês. As vendas no varejo caíram 0,8% em julho, resultado pior que as projeções de queda de 0,2%. Móveis e eletrodomésticos recuaram 4,9%, a maior retração desde dezembro de 2023.
O IGP-10 subiu 1,47% em setembro, ante queda de 0,51% de agosto. Com este resultado, a variação acumulada em 12 meses ficou em 3,29%. O governo anunciou um reajuste de cerca de 15% no programa Bolsa Família. Segundo o governo, o aumento busca preservar o poder de compra do benefício, sem reajuste desde 2023. A Cúpula do BRICS terminou com defesa da cooperação econômica e do multilateralismo, reunindo quase todos os líderes do bloco pela primeira vez em dois anos.
Cenário internacional: bancos centrais endurecem política monetária e China perde ritmo
O Fed elevou os juros em 0,25%, para a faixa de 3,75% a 4,00%, na primeira alta desde julho de 2023, em decisão unânime de 12 a 0. As vendas no varejo dos EUA subiram 1,2% em agosto, muito acima da projeção de 0,8% e maior alta em cinco meses, revertendo a queda revisada de 0,5% em julho. Já a produção industrial dos EUA ficou estável em agosto, abaixo das expectativas de alta de 0,3%. As vendas da indústria recuaram 0,3%, mesmo com projeções apontando crescimento de 0,3%.
O Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75% pela sexta reunião consecutiva, em votação apertada de 6 a 3, com três membros defendendo alta imediata para 4%. Na China, foram concedidos apenas 60 bilhões de yuans em novos empréstimos em agosto, muito abaixo da projeção de 400 bilhões, após a contração recorde de 340 bilhões em julho. As vendas no varejo da China subiram apenas 0,4% em 12 meses em agosto, abaixo da expectativa de 0,8%. Já a produção industrial avançou 5,2%, acelerando ante os 4,5% de julho. O Banco Central Japonês optou por elevar os juros de 1,00% para 1,25% na reunião de setembro. A decisão era amplamente aguardada pelo mercado.
Em resumo:
No Brasil, o Copom realizou o quinto corte consecutivo da Selic, levando a taxa para 13,75% ao ano. A decisão ocorre em um ambiente de enfraquecimento da atividade: o IBC-Br recuou pelo segundo mês seguido e o varejo caiu 0,8% em julho, resultado pior que o esperado. Em sentido contrário, o IGP-10 voltou a subir com força em setembro, acumulando alta de 3,29% em 12 meses.
No exterior, Fed e Banco do Japão elevaram os juros, enquanto o Banco da Inglaterra manteve sua taxa em 3,75%. Nos Estados Unidos, o consumo surpreendeu positivamente, mas a produção industrial ficou estagnada. Já a China apresentou novos sinais de fragilidade, com baixo volume de novos empréstimos e crescimento de apenas 0,4% das vendas no varejo, apesar da aceleração da produção industrial.



