Acompanhar os indicadores europeus — PIB, inflação (HICP/IPC), produção industrial, vendas no varejo, desemprego, câmbio e comércio exterior — segue essencial para compreender os rumos da economia global. A Europa atravessa um período prolongado de baixo crescimento, ainda lidando com os efeitos do aperto monetário, da transição energética e das tensões geopolíticas.
Crescimento econômico: estagnação prolongada
O crescimento econômico europeu permanece fraco. Dados do fim de 2025 indicam que a União Europeia cresceu cerca de 0,1% no último trimestre, caracterizando uma economia próxima da estagnação. O efeito defasado da política monetária restritiva de 2023–2024, aliado a consumo cauteloso e investimento contido, ajuda a explicar esse desempenho.
No Reino Unido, o PIB avançou cerca de 0,2% no trimestre mais recente, após um período de recessão técnica no fim de 2024. Apesar da melhora marginal, a economia britânica segue limitada por baixo crescimento da produtividade, custos elevados e investimento ainda frágil.
Já a Alemanha apresenta crescimento próximo de 0%, alternando trimestres de leve expansão e contração. O desempenho reflete dificuldades estruturais do setor industrial, custos energéticos mais elevados e menor demanda externa — especialmente da China.
Produção industrial: o principal ponto de fragilidade
A produção industrial continua sendo o epicentro das preocupações econômicas na Europa.
Na Alemanha, a indústria registra retração anual próxima de –3%, com impactos relevantes nos setores automotivo, químico e metalúrgico. O ajuste vai além do ciclo econômico, refletindo um processo estrutural de perda de competitividade.
No agregado da União Europeia, a produção industrial permanece estagnada, com forte heterogeneidade regional:
- países do sul (como Espanha e Portugal) mostram desempenho relativamente melhor;
- grandes polos industriais do norte seguem pressionados.
No Reino Unido, a indústria também perde dinamismo, mas o impacto macroeconômico é parcialmente compensado por um setor de serviços mais resiliente, especialmente finanças, tecnologia e serviços empresariais.
Consumo e mercado de trabalho: resiliência parcial
O consumo europeu segue contido. As vendas no varejo da União Europeia apresentam crescimento próximo de zero, refletindo consumidores ainda cautelosos após o choque inflacionário dos últimos anos.
No Reino Unido, há sinais de leve recuperação do varejo, apoiada pela desaceleração da inflação e pela recomposição gradual da renda real.
No mercado de trabalho, o quadro é relativamente mais favorável:
- a taxa de desemprego da União Europeia permanece próxima de 6%, mínima histórica do bloco;
- na Alemanha, o desemprego segue baixo, mas com alta marginal recente, especialmente na indústria;
no Reino Unido, o desemprego gira em torno de 4,3%, indicando um mercado ainda apertado, apesar do crescimento fraco.
Inflação, câmbio e comércio exterior: alívio inflacionário
A inflação europeia desacelerou de forma consistente. O HICP da União Europeia recuou para cerca de 2,4% no fim de 2025, aproximando-se da meta do Banco Central Europeu.
Na Alemanha, a inflação caiu para algo próximo de 2,5%–2,7%, influenciada pela normalização dos preços de energia. No Reino Unido, o processo foi mais lento, mas o IPC recuou para cerca de 3,8%–4,0%, reduzindo gradualmente a pressão sobre o Banco da Inglaterra.
Esse ambiente reforça a expectativa de cortes graduais de juros ao longo de 2026, sobretudo na zona do euro, embora as autoridades sigam cautelosas quanto ao ritmo da flexibilização.
No comércio exterior, a União Europeia mantém superávit moderado, favorecido pela queda das importações energéticas e pela resiliência de exportações de bens de maior valor agregado.
A Alemanha, embora ainda superavitária, viu seu saldo externo encolher, refletindo a perda de competitividade industrial.
Geopolítica e transição industrial: o pano de fundo estrutural
Os dados econômicos europeus não podem ser dissociados do contexto geopolítico. A guerra na Ucrânia, as tensões comerciais globais e a competição tecnológica com Estados Unidos e China moldam decisões de investimento, política industrial e energia.
A Alemanha enfrenta o desafio de reconstruir sua base industrial em um ambiente de custos energéticos mais altos, ao mesmo tempo em que precisa avançar na transição verde e digital.
A União Europeia tem respondido com políticas industriais coordenadas — como incentivos à transição energética e semicondutores — ainda que enfrente restrições fiscais crescentes.
O que esses dados sinalizam?
A leitura integrada dos indicadores aponta para uma Europa de crescimento baixo, inflação sob controle e mercado de trabalho relativamente resiliente. O principal desafio está na indústria, especialmente na Alemanha, e na capacidade do bloco de transformar a transição energética e digital em um novo vetor de crescimento sustentável.
A economia europeia segue menos dinâmica do que no passado, mas continua sendo um pilar central do cenário global, com impactos relevantes sobre comércio, investimentos e cadeias produtivas internacionais.



