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IPCA quântico

IPCA quantico: Molécula. Imagem: Master Ron.

O ano mal começou e o Boletim Focus do Banco Central, mostrou que o mercado continua ajustando para baixo a expectativa de inflação para 2024. O otimismo em meio a tantas variáveis que lançam incerteza sobre a real trajetória da inflação em 2024 trouxe alguns insights: a semelhança com a física quântica. 

Acompanhe o nosso raciocínio. 

IPCA e um pouco de física

Uma das coisas mais singulares dentro da física quântica são os movimentos das partículas, que, por não obedecerem ao que está previsto na física clássica, conferem grande fonte de incerteza. É quase impossível determinar com precisão o movimento de um elétron em torno do núcleo de um átomo qualquer, por exemplo.

Mas como não estamos nem perto de sermos físicos capacitados para tal discussão, vamos olhar para a economia antes de cometer  algum deslize mais grave.

O ano mal começou e o Boletim Focus mostrou que o mercado continua ajustando para baixo a expectativa de inflação para 2024. O documento, que reúne as expectativas  das empresas ligadas ao mercado financeiro, é constantemente criticado pela incapacidade de o mercado antever com precisão (aceitável) as principais variáveis macroeconômicas.

A expectativa para o IPCA

A bola da vez é a inflação medida pelo IPCA (Boletim Focus de 22 de janeiro de 2024). Ao que consta, a mediana das projeções sugere que a inflação oficial do país encerrará este ano em 3,86%. Acima do centro da meta, que é de 3%, mas dentro do corredor de tolerância, que varia de míseros 1,5% até 4,5%.

O que acontece é que, apesar de termos diversos elementos que podem diminuir o ímpeto inflacionário no Brasil, temos também uma coleção de fatores que pode nos trazer de volta à realidade. Caso se concretize, a inflação em 3,86% seria a quarta menor variação anual desde a criação do Real, em 1994.

Excesso de otimismo com o IPCA

A crítica ao otimismo em relação ao comportamento dos preços no Brasil em 2024 deriva do fato de estamos diante de uma quebra de safra relevante causada em parte pelo fenômeno El Nino e pelas guerras em curso. O conflito no Oriente Médio, já regionalizado na prática, trouxe uma escalada importante dos custos dos fretes marítimos.

Domesticamente temos o aumento da massa salarial, a queda do desemprego e o aumento do volume de crédito concedido. Todas essas variáveis configuram elementos que devem gerar uma dinâmica um pouco pior para a inflação ao longo deste ano.

Esses pontos em conjunto nos permitem avaliar que o mercado não tem a menor ideia de onde a inflação pode estar no final de 2024. Mas, por via das dúvidas, decidiu projetar um ano muito otimista. Pelo menos no que diz respeito a inflação.

Ao nosso ver, parece que a política monetária e a física quântica estão mais próximas do que poderíamos imaginar: ambas sem saber a direção

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