Brasil: Indústria sustenta atividade, mas sinais de desaceleração ganham força
A produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril, acima das projeções do mercado, de alta de 0,5% e do dado de março, de +0,3%. É o 4° avanço consecutivo da atividade manufatureira. O destaque ficou com a indústria extrativa, cujo crescimento foi de 3,1% no mês. A produção de bens duráveis caiu 3,2% na margem, reforçando o impacto da taxa de juros sobre o consumo. Apesar do quarto crescimento mensal da produção industrial, o PMI da indústria recuou para a zona de retração em maio, aos 49,1 pontos. Em abril, foram 52,6 pontos.
O recuo do PMI industrial foi acompanhado pelo PMI de serviços, que foi de 52,3 em abril para 50,4 pontos em maio. Apesar disso, o número continua acima da linha de expansão, de 50 pontos. O PMI composto, por sua vez, também encolheu e sugere retração da economia brasileira em maio. O resultado do mês passado foi de 49,5 pontos, o mais baixo desde outubro de 2025.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$7,823 bilhões, acima das projeções do mercado (+US$7,8B). Com este resultado, o saldo acumulado no ano chegou a US$32,7 bilhões. O fluxo cambial estrangeiro registrou entrada líquida de US$743 milhões em maio. Houve saída líquida do canal financeiro (US$7,91 bilhões) e entrada líquida no comercial (US$8,65 bilhões).
Cenário internacional: Mercado de trabalho forte mantém economia global resiliente
Nos EUA, o PMI industrial avançou para 55,1 pontos em maio, ligeiramente abaixo da preliminar que sugeria 55,3 pontos, porém acima do registrado em abril (54,5). O número de vagas de empregos norte-americanas, do relatório JOLTS, subiu para 7,6 milhões em abril, bem acima do dado anterior (6,8 milhões) e das projeções (6,9 milhões). O relatório ADP registrou aceleração na criação de vagas no setor privado, que atingiu 122 mil na
semana passada. O resultado veio acima das expectativas (118 mil) e do dado anterior (105 mil).
Na Zona do Euro, a preliminar do Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,1% em maio, enquanto no acumulado em 12 meses registra alta de 3,2%, acima dos 3,0% de abril. Na China, o PMI industrial recuou para 51,8 pontos em maio, acima das expectativas de 51,4, mas abaixo do resultado anterior de 52,2 pontos.
Em resumo
No Brasil, a produção industrial surpreendeu positivamente em abril e registrou o quarto avanço consecutivo, impulsionada principalmente pela indústria extrativa. Apesar disso, os indicadores antecedentes mostraram perda de ritmo da atividade econômica em maio, com recuo dos PMIs da indústria, serviços e do índice composto, que voltou a apontar contração. A balança comercial manteve forte desempenho, enquanto o fluxo cambial seguiu positivo graças ao canal comercial.
No cenário internacional, os Estados Unidos continuaram apresentando sinais de robustez, com aumento das vagas abertas, aceleração na criação de empregos e expansão da atividade industrial. Na Europa, a inflação voltou a ganhar força, mantendo a atenção sobre os próximos passos do Banco Central Europeu. Já a China registrou desaceleração moderada da atividade industrial, embora os resultados tenham vindo acima das expectativas do mercado, reforçando um cenário global de crescimento ainda resiliente, mas com sinais de acomodação.



