Brasil: atividade resiliente e expectativas de inflação em alta
O IPCA avançou 0,58% em maio, acima da média das projeções (0,53%), porém desacelerou em relação a abril (0,67%). Em 12 meses, acumula alta de 4,72%. A primeira prévia do IGP-M de junho registrou desaceleração. Segundo a FGV, a variação foi de +0,21%, ante +0,27% registrados na primeira prévia de maio. O IGP-DI seguiu a dinâmica do IGP-M e registrou avanço de 0,87% em maio, depois de registrar alta de 2,41% no mês de abril. Com o resultado, a variação acumulada em 12 meses subiu a 2,5%.
Apesar da desaceleração da inflação, o mercado revisou pela 13ª vez seguida a projeção para o IPCA este ano. No Boletim Focus, o mercado espera +5,11%, ante 4,91% há quatro semanas. O setor de serviços cresceu 1,2% em abril, interrompendo uma sequência de 5 meses seguidos sem crescimento. O resultado ficou acima das projeções, que esperavam por uma alta de 0,6%.
Com este resultado, o setor encontra-se quase 20% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,3% abaixo do pico histórico, registrado em outubro do ano passado. O Brasil acumulou um superávit comercial de US$3,2 bilhões na primeira semana de junho. O resultado representa quase a metade do superávit registrado ao longo do mês de maio.
Cenário internacional: bancos centrais seguem atentos à inflação
Nos EUA, o Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5% em maio, em linha com as expectativas do mercado e abaixo dos +0,6% do mês anterior. Em 12 meses, acumula alta de 4,2%. Já o Índice de Preços ao Produtor registrou alta de 1,1% em maio, acima das projeções de 0,7% e repetindo o avanço de 1,1% de abril. Em 12 meses alcançou 6,5%, o nível mais alto desde 2022. Na Zona do Euro, o BCE optou por elevar os juros em 0,25%, fixando a taxa em 2,40%. A taxa de facilidade permanente de depósito também avançou 0,25%, acumulando 2,25% a.a.
No Japão, o PIB avançou 0,5% no primeiro trimestre deste ano, acelerando frente ao crescimento de 0,3% no trimestre anterior. Em termos anualizados, a economia japonesa cresceu 1,8%. Na China, o IPC permaneceu em 1,2% no acumulado em 12 meses até maio, sem alterações em relação a abril. Já o IPP avançou 3,9% na mesma base de comparação, após alta de 2,8% em abril. As reservas cambiais chinesas atingiram US$3,442 trilhões em maio. Em abril, haviam somado US$3,410 trilhões.
Em resumo
No Brasil, os indicadores mostraram uma desaceleração da inflação na margem, mas as expectativas seguem se deteriorando. O IPCA de maio avançou 0,58% e o mercado elevou pela 13ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026. Ao mesmo tempo, o setor de serviços surpreendeu positivamente, crescendo 1,2% em abril e interrompendo uma sequência de cinco meses sem expansão, reforçando a percepção de que a atividade econômica permanece resiliente.
No cenário internacional, a inflação segue sendo a principal preocupação. Nos Estados Unidos, os preços ao consumidor desaceleraram, mas a inflação ao produtor atingiu o maior nível desde 2022. Na Europa, o Banco Central Europeu voltou a elevar os juros diante das pressões inflacionárias, enquanto Japão e China apresentaram sinais de atividade econômica estável. O ambiente global continua marcado pelo desafio de controlar a inflação sem comprometer o crescimento.



