Brasil: A ata do Copom e o IGP-DI
A ata do Copom reiterou que iniciará um ciclo de cortes já na próxima reunião, prevista para março, mas sem indicar a magnitude ou ritmo das reduções. A produção industrial recuou -1,2% em dezembro, a maior queda desde setembro de 2024. Na comparação anual, subiu apenas 0,4%. O PMI industrial caiu para 47,0 pontos em janeiro, sinalizando retração da produção, enquanto o PMI de serviços recuou, mas seguiu em nível que sugere expansão (51,3 pontos). Com isso, o PMI composto caiu para 49,9 em janeiro, abaixo do resultado anterior, de 52,1. Embora o setor de serviços siga aquecido, a retração persistente da indústria pressionou a atividade.
O IGP-DI, inflação medida pela FGV, avançou 0,20% em janeiro, ante 0,10% em dezembro. Apesar da alta no mês, o indicador acumula queda de 1,11% em 12 meses. O IPC-S da FGV subiu 0,59% em janeiro, com este resultado, a alta em 12 meses é de 4,60%. A maior contribuição para o avanço foi o grupo de transportes com aumento de 1,18%. A balança comercial registrou US$4,34 bilhões em janeiro, sustentada pela queda das importações
(-9,8%), maior que a retração das exportações (-1,0%) na comparação anual.
Cenário internacional: Banco Central do Reino Unido optou pela manutenção da taxa de juros
Nos EUA, dados da ADP mostram que o setor privado criou 22 mil vagas em janeiro, bem abaixo das expectativas de 46 mil. O dado reforça a leitura de arrefecimento do mercado de trabalho. O volume semanal de novos pedidos de seguro-desemprego também indicam perda de ritmo. Foram 231 mil requisições na última semana, número acima da última publicação (209 mil). A pesquisa JOLTS mostrou que os EUA tinham 6,54 milhões de vagas de trabalho em aberto em dezembro, abaixo dos 6,93 milhões registrados em novembro.
Na zona do euro, o índice de preços recuou 0,5% no mês de janeiro. Com isso, a variação acumulada em 12 meses cedeu a 1,7%, o menor nível desde meados de 2021. Apesar do recuo da inflação, a taxa de juros foi mantida em 2,15% ao ano, em linha com a expectativa do mercado. É a quinta reunião em que o BCE opta pela manutenção. O Banco Central do Reino Unido também optou pela manutenção da taxa de juros em 3,75%.
Apesar do aumento da taxa de desemprego, a taxa de inflação segue muito acima da meta.
Em resumo
No cenário nacional, a semana foi marcada pela sinalização clara do Copom de que o ciclo de cortes de juros deve começar já em março, ao mesmo tempo em que os dados de atividade mostraram perda de fôlego. A produção industrial registrou forte queda em dezembro, os PMIs indicaram retração da indústria e desaceleração do setor de serviços, levando o PMI composto para abaixo de 50 pontos. Do lado dos preços, os índices da FGV mostraram aceleração pontual no mês, mas seguem em queda no acumulado de 12 meses, enquanto a balança comercial manteve superávit relevante, sustentado pela forte retração das importações.
No cenário internacional, os Estados Unidos reforçaram sinais de arrefecimento do mercado de trabalho, com criação fraca de vagas, aumento dos pedidos de seguro-desemprego e queda no número de vagas em aberto. Na Europa, a inflação recuou para o menor nível desde 2021, mas tanto o Banco Central Europeu quanto o Banco da Inglaterra optaram por manter as taxas de juros inalteradas, refletindo cautela diante de um ambiente de crescimento fraco e inflação ainda elevada no Reino Unido.



