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Visão rápida da semana: Brasil com atividade resiliente e inflação pressionada enquanto cenário global segue misto

visão da semana

Brasil: fluxo externo positivo e inflação no radar

O Banco Central informou que a conta de transações correntes encerrou o mês de março com um déficit de US$6 bilhões, abaixo do registrado no mês de fevereiro (-US$5,6 bilhões). Por outro lado, o volume de investimentos estrangeiros produtivos manteve-se firme. A entrada líquida de IDP alcançou US$6 bilhões, abaixo do que foi registrado em fevereiro (US$6,8 bilhões). A balança comercial registrou superávit de US$878 milhões e corrente de comércio de US$12 bilhões na 3ª semana de abril. Com este resultado o superávit do mês chegou a US$7,54 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$103,58 bilhões e as importações, US$81,86 bilhões. O saldo ficou positivo em US$21,719 bilhões.

No Boletim Focus divulgado nesta semana, a previsão para a inflação oficial neste ano subiu para 4,8%, enquanto as expectativas para a Selic também avançaram, agora para 13% ao ano. O Monitor do PIB, da FGV, mostrou crescimento de 0,6% da atividade econômica em fevereiro na série com ajuste sazonal. A taxa acumulada em 12 meses foi de 2,0%. Dados da FGV mostram que o índice semanal de preços ao consumidor desacelerou a 0,90% na terceira semana de abril, depois de subir 0,96% na segunda leitura do mês. Por fim, a confiança do consumidor engatou a segunda alta consecutiva neste mês. Segundo a FGV, o índice de confiança subiu de 88,1 pontos para 89,1 pontos.

Cenário internacional: consumo forte nos EUA e sinais mistos na Europa

Nos EUA, as vendas no varejo avançaram 1,7% em março, superando as expectativas de alta de 1,4%. Na comparação anual, acumula alta de 3,96%. Os pedidos iniciais por seguro-desemprego avançaram para 214 mil nesta semana, acima da estimativa de 211 mil e dos 208 mil do resultado anterior.

A preliminar do PMI industrial norte-americano alcançou 54,0 pontos em abril, acima das projeções de 52,5 e do resultado de 52,3 em março. Na Zona do Euro, a preliminar do PMI industrial subiu a 52,2 pontos em abril, o maior nível em 47 meses. O PMI de serviços, por outro lado, caiu a 47,4 pontos, o menor nível em 62 meses. Na Alemanha, o Índice de Preços ao Produtor disparou em 2,5% em março, acima tanto das expectativas (1,4%) quanto do resultado anterior (-0,5%).


Em resumo

No Brasil, o cenário segue relativamente equilibrado, com déficit em transações correntes menor em março e manutenção de um fluxo relevante de investimentos estrangeiros produtivos, sinalizando confiança do capital externo. A balança comercial continua positiva no ano, enquanto a atividade econômica mostra crescimento moderado, reforçado pelo Monitor do PIB da FGV. Por outro lado, o ambiente inflacionário segue pressionado, com revisão para cima das expectativas de IPCA e Selic, ainda que alguns indicadores recentes de preços e confiança do consumidor indiquem leve melhora na margem.

No cenário internacional, os dados mostram um quadro misto. Nos Estados Unidos, o consumo segue forte, com alta nas vendas no varejo e atividade industrial aquecida, embora haja sinais de leve deterioração no mercado de trabalho. Na Europa, a indústria apresenta recuperação, enquanto o setor de serviços perde força, refletindo um ambiente ainda heterogêneo. Já na Alemanha, a forte alta dos preços ao produtor reforça as pressões inflacionárias, mantendo o cenário global desafiador para a condução da política monetária.

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