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Visão rápida da semana: Inflação acelera, confiança recua e cenário externo mistura tarifas e resiliência

visão da semana

Brasil: IGP-M e IPCA-15

O IGP-M recuou 0,73% em fevereiro, revertendo a alta de janeiro, puxado principalmente pela forte queda nos preços no atacado e desaceleração em outros segmentos. O IPCA-15, por outro lado, registrou alta de 0,84% em fevereiro, superando as projeções de 0,60% e acelerando de forma expressiva em relação ao avanço de 0,20% observado em janeiro. Fevereiro foi marcado pela queda disseminada dos índices de confiança. Com exceção da indústria, todos os demais setores e consumidores apontaram redução da confiança em relação à janeiro. A confiança da indústria subiu 0,6 ponto em fevereiro, segundo a FGV. A alta do índice foi motivada pela melhora nos dois componentes do indicador: avaliação da situação atual e expectativas.

A arrecadação tributária federal atingiu R$325,75 bilhões em janeiro, a maior registrada para o mês desde 1995, com alta real de 3,6% na comparação anual. O setor público consolidado registrou superávit primário de R$103,689 bilhões em janeiro, resultado expressivamente superior ao saldo positivo de R$6,251 bilhões em dezembro. No balanço de pagamentos, as transações correntes registraram um déficit de US$8,4 bilhões em janeiro. O volume de investimento estrangeiro direto somou US$8,2 bilhões no mês. A concessão de crédito aumentou 1,5% em janeiro em relação a dezembro na série com ajuste sazonal. O percentual de inadimplência atingiu o nível mais alto da série, 4,2%.

Cenário internacional: Tarifas

O governo de Donald Trump anunciou um novo programa de tarifas globais, com a alíquota inicial em 10% e sinalizando que poderá elevá-la para 15% “quando apropriado”. A confiança do consumidor norte americano subiu para 91,2 em fevereiro, acima da previsão de 87,4 e do valor revisado de 89,0 em janeiro. O volume semanal de novos pedidos de seguro-desemprego voltou a ficar abaixo da expectativa do mercado financeiro. Foram 212 mil novas requisições contra estimativa de 217 mil.

Na Zona do Euro, o índice de preços ao consumidor recuou 0,6% em janeiro, ligeiramente abaixo das projeções de -0,5%. Na Alemanha, o PIB avançou 0,3% no quarto trimestre, em linha com as expectativas e acima do
resultado anterior (0,0%). Em termos anualizados, o avanço foi de 0,4%.


Em resumo

No cenário nacional, fevereiro foi marcado por sinais mistos na economia brasileira. O IGP-M registrou deflação de 0,73%, refletindo forte queda no atacado, enquanto o IPCA-15 acelerou para 0,84%, acima das projeções e bem superior ao resultado de janeiro. A confiança recuou na maioria dos setores, com exceção da indústria, que apresentou leve melhora. Do lado fiscal, a arrecadação federal atingiu recorde histórico para janeiro e o setor público registrou superávit primário expressivo. Já o balanço de pagamentos mostrou déficit em transações correntes, enquanto o crédito avançou, mas com aumento da inadimplência para 4,2%, o maior nível da série.

No cenário internacional, o governo dos Estados Unidos anunciou um novo programa de tarifas globais, elevando a incerteza comercial. Ainda assim, os dados econômicos mostraram resiliência, com alta na confiança do consumidor e pedidos de seguro-desemprego abaixo das expectativas. Na Zona do Euro, a inflação recuou 0,6% em janeiro, reforçando o processo de desinflação, enquanto a Alemanha apresentou crescimento moderado no quarto trimestre, em linha com as projeções, indicando estabilidade, mas ainda sem sinais claros de aceleração mais robusta.

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