Brasil: Atividade resiliente e inflação mais pressionada no Brasil
O setor de serviços cresceu 0,1% em fevereiro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado o avanço foi mais forte, de 0,5%. O setor acumula crescimento de 1,9% no 1o bimestre. O comércio varejista também engatou a segunda alta seguida em fevereiro. Segundo o IBGE o crescimento foi de 0,6%. Com este resultado o setor acumula crescimento de 1,5% no 1o bimestre. O IBC Br, índice de atividade econômica do Banco Central, registrou alta de 0,6% em fevereiro. O resultado ficou em linha com as projeções do mercado. No campo inflacionário, o IGP-10 da FGV, saltou 2,94% no mês de abril. O aumento dos preços foi disseminado no mês com maior influência dos aumentos dos preços aos produtores (+3,81%).
Já a segunda prévia do IGP-M de abril subiu 2,64%, um aumento relevante em relação à segunda prévia de março (+0,15%). A escalada dos preços nos últimos dias alterou o cenário prospectivo da inflação. Segundo o Boletim Focus, a projeção para o IPCA em 2026 subiu a 4,71%, de 4,1% registrado há 4 semanas. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$4,2 bilhões na segunda semana de abril. Com este número, o saldo acumulado no mês subiu a US$6,75 bilhões.
Cenário internacional: desaceleração nos EUA e força na China
O índice de preços ao produtor norte-americano avançou 0,5% no mês de março, repetindo a variação observada em fevereiro. O percentual ficou abaixo das projeções do mercado (+1,1%). A produção industrial norte-americana caiu 0,5% em março. O percentual ficou muito abaixo do esperado (+0,1%). Essa foi a maior queda mensal da indústria desde julho de 2024. Por outro lado, o volume semanal de novos pedidos de seguro-desemprego vieram abaixo do esperado. Foram 207 mil requisições, abaixo das 218 mil registradas uma semana antes.
O PIB da China cresceu 5% no 1o trimestre, superando as expectativas (+4,8%). Na comparação com o quarto trimestre do ano passado o crescimento foi de 1,3%, também acima das projeções. Os bancos chineses concederam 2,99 trilhões de yuans em março, volume acima de fevereiro mas aquém das projeções do mercado, que esperavam pela concessão de 3,45 trilhões A balança comercial chinesa registrou superávit de US$51,1 bilhões em março, com forte alta nas importações e moderação das exportações. O número ficou abaixo da projeção do mercado.
Em resumo
No Brasil, a atividade econômica segue mostrando resiliência, com crescimento moderado em serviços, varejo e no IBC-Br ao longo do início do ano. Ao mesmo tempo, a inflação ganhou força, com forte alta nos índices de preços ao produtor e revisões relevantes nas expectativas para o IPCA em 2026. O cenário combina uma economia que ainda cresce com uma pressão inflacionária maior no curto prazo, exigindo mais cautela nas decisões de política monetária.
No cenário internacional, os sinais são mistos. Nos Estados Unidos, a queda da produção industrial contrasta com um mercado de trabalho ainda sólido, enquanto a inflação ao produtor veio mais moderada. Já a China segue com crescimento robusto no primeiro trimestre, embora apresente sinais de desaceleração em crédito e comércio exterior. O ambiente global continua marcado por incertezas, com impactos diretos sobre commodities, inflação e decisões de investimento.



