Brasil: inflação perde força enquanto atividade e mercado de trabalho permanecem resilientes
O IBGE informou que o IPCA-15 de junho subiu 0,41%, acumulando alta de 4,80% em 12 meses. O resultado ficou abaixo das projeções do mercado financeiro (+0,44%). A ata do Copom reforçou um tom mais cauteloso, destacando que o BC vê o balanço de riscos para a inflação assimétrico para cima. O documento afirmou também que pode alternar entre períodos de pausa e cortes na Selic para garantir a convergência da inflação à meta. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), FGV, ficou estável, aos 88,7 pontos em junho. Já a confiança do setor de construção caiu de 92,6 para 91,7 pontos na passagem de maio para junho.
A Secex informou que o país acumulou superávit de US$3,06 bilhões na terceira semana de junho. Com isso, o resultado do mês já soma um superávit de US$7,64 bilhões. O desempenho do comércio exterior tem garantido a entrada de forte fluxo de dólares no país, o que tem contribuído para suavizar o movimento de valorização do dólar sobre a moeda brasileira. O déficit em transações correntes foi de US$3,19 bilhões em maio, melhor que as projeções (US$4,16). Já em Investimento Direto (IDP) o país recebeu US$7,97 bilhões no mesmo período. A taxa de desemprego recuou para 5,6% em maio, em linha com as projeções do mercado. Esse é o menor resultado para o mês em 14 anos.
Cenário internacional: crescimento forte nos EUA mantém atenção voltada para os juros
Nos EUA, o PIB cresceu 2,1% no primeiro trimestre de 2026. O crescimento ficou acima das projeções do mercado financeiro, de 1,6%. O Índice de preços PCE registrou alta de 0,4% em maio, ligeiramente abaixo das expectativas (+0,5%). No acumulado em 12 meses, o índice passou a 4,1%, em linha com as projeções.
A preliminar do PMI industrial norte-americano avançou para 55,7 em junho, acima tanto das projeções (54,6) quanto do resultado anterior (55,1). O maior nível em cerca de 5 anos. Na Zona do Euro, as prévias dos PMIs de junho mostram força do setor industrial (51,3), enquanto os dados do setor de serviços sugerem contração, apesar da melhora na margem (48,9). No Japão, o Índice de Preços ao Consumidor recuou para 2,7% no acumulado em 12 meses encerrados em junho, ante 2,8% em maio.
Em resumo
No Brasil, o IPCA-15 de junho veio abaixo das expectativas, reforçando a desaceleração da inflação na margem. Ainda assim, a ata do Copom manteve um tom cauteloso, indicando que o Banco Central continuará calibrando os juros diante dos riscos inflacionários. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho segue forte, com a menor taxa de desemprego para maio em 14 anos, enquanto o desempenho do setor externo continua sustentando o ingresso de dólares e contribuindo para reduzir pressões sobre o câmbio.
No cenário internacional, a economia americana voltou a surpreender positivamente, com crescimento do PIB acima das expectativas e indicadores de atividade reforçando a resiliência da indústria. Apesar da inflação mostrar sinais de acomodação, os dados seguem em patamar elevado, mantendo o Federal Reserve em posição de cautela. Na Europa e no Japão, a atividade e os preços apresentaram comportamento mais moderado, refletindo um cenário global de crescimento desigual e política monetária ainda restritiva.


