BLOG DA AE

Visão rápida da semana: Cenário econômico com juros em queda no Brasil e cautela global nos mercados

visão da semana

Brasil: Corte de juros, inflação mista e mercado de trabalho resiliente

O Copom optou pela continuidade no ciclo de corte de juros, reduzindo a Selic para 14,50%. O comunicado do Comitê não indicou quais os próximos passos da política monetária. O IPCA-15 avançou 0,89% em abril, abaixo da expectativa média do mercado de 1,00%. No acumulado em 12 meses o indicador avançou para 4,14%. O IGP-M, divulgado pela FGV, saltou 2,73% em abril, acima do resultado de março, de 0,52%. Os mercados esperavam avanço de 2,50%. Com este resultado, a variação anualizada subiu a 0,61%.

A arrecadação federal somou 229,25 bilhões em março, acima do resultado anterior de 222,12 bilhões. O resultado representa um aumento real de cerca de 5% em relação a março de 2025. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$80,7 bilhões em março, com acumulado em 12 meses de -R$137,1 bilhões. O déficit nominal foi de R$199,5 bilhões no mês. A taxa de desemprego avançou para 6,1% em março, alta já esperada. Já o CAGED registrou saldo de 228 mil no mês de março, bem acima das expectativas de 150 mil.

Cenário internacional: bancos centrais cautelosos e crescimento moderado

Nos EUA, o Fed optou novamente pela manutenção da taxa básica de juros em 3,75%. A mudança na presidência do Federal Reserve abre margens quanto às expectativas dos próximos passos. O Núcleo do Índice de Preços PCE avançou 0,3% em março, em linha com as apostas do mercado. No acumulado em 12 meses registra alta de 3,2%. O PIB norte-americano também avançou, 2,0% no primeiro trimestre em termos anualizados, ligeiramente abaixo das expectativas, de 2,2%.

Na Zona do Euro, a taxa básica de juros foi mantida em 2,15% na reunião desta semana. Na Inglaterra, o Bank of England também manteve a taxa de juros inalterada, em 3,75%. A preliminar do Índice de Preços ao Consumidor da Zona do Euro avançou 1,0% em abril, ante alta de 1,3% no mês anterior. Com este resultado, a variação acumulada em 12 meses subiu a 3,0%. Já o PIB do bloco europeu registrou aumento de 0,8% no primeiro trimestre, ligeiramente abaixo das expectativas de 0,9%. O resultado anterior foi de +1,2% O banco central japonês (BoJ) manteve a taxa de juros inalterada em 0,75%. Já o Índice de Preços ao Consumidor registrou alta de 2,5% anualmente em abril.


Em resumo

No Brasil, a semana foi marcada pela continuidade do ciclo de cortes de juros, com a Selic reduzida para 14,50%, ainda sem sinalização clara dos próximos passos. A inflação trouxe sinais mistos: o IPCA-15 veio abaixo do esperado, mas o IGP-M surpreendeu para cima, reforçando pressões de custos. Na atividade, o mercado de trabalho mostrou resiliência, com forte criação de vagas pelo Caged, apesar da alta na taxa de desemprego, enquanto o fiscal segue no radar com déficit elevado mesmo diante do crescimento da arrecadação.

No cenário internacional, prevaleceu a cautela dos bancos centrais, com manutenção de juros nos EUA, Europa, Inglaterra e Japão. A economia americana segue crescendo, ainda que em ritmo levemente menor, com inflação relativamente controlada. Já na Europa, a inflação desacelerou na margem, mas o crescimento também perdeu força. O ambiente global continua marcado por incertezas sobre os próximos passos da política monetária e o ritmo da atividade econômica.

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!

Últimos posts