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Visão rápida da semana: Inflação recua no Brasil, enquanto pressões externas voltam ao radar.

visão da semana

Cenário nacional: preços cedem, mas atividade apresenta sinais mistos.

O IPCA caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho e abaixo da mediana de mercado, que
apontava queda de 0,29%. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%. O IGP-DI subiu 0,06% em agosto, em linha com as projeções. A alta veio dos preços agropecuários ao produtor, com soja, milho e bovinos, enquanto os preços industriais seguiram em queda. O volume de serviços ficou estável em julho (0,0%), frustrando a projeção de alta de 0,2%, com avanço em quatro das cinco atividades pesquisadas.

A produção de veículos somou 271,2 mil unidades em agosto, alta de 6,8% sobre julho e o maior volume mensal desde outubro de 2019. As vendas de veículos, por sua vez, atingiram 275,1 mil unidades, alta de 22,1% na comparação anual, enquanto as exportações caíram 32%, com recuo de 37% nos embarques para a Argentina. Os veículos eletrificados atingiram 24,4% dos emplacamentos do mês, novo recorde, e acumulam alta de 125,8% no ano. O fluxo cambial ficou negativo em US$6,7 bilhões em setembro, até o dia 4, a pior saída semanal do ano, puxada quase integralmente pelo canal financeiro.

Cenário internacional: inflação e juros voltam a pressionar o ambiente global.

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto e acumula 3,4% em 12 meses, ambos em linha com o consenso. O núcleo avançou 0,3% no mês, 0,1 ponto acima do previsto. Já o índice de preços ao produtor dos EUA subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,1% em julho, com a variação em 12 meses acelerando de 4,8% para 5,4%. O movimento veio quase todo dos bens. O Banco Central Europeu elevou as três taxas básicas de juros em 0,25%, levando a taxa de depósito a 2,50%, a de refinanciamento a 2,65% e a de empréstimo marginal a 2,90%.

O PIB da Zona do Euro foi revisado de 0,4% para 0,6% no segundo trimestre, o melhor resultado desde 2022, com alta de 1,2% na comparação anual. A inflação alemã foi confirmada em 2,9% em 12 meses em agosto, com alta de 0,2% no mês e núcleo estável em 2,4%. A energia segue como principal vetor. Na China, a inflação ao consumidor acelerou para 0,8% em 12 meses em agosto, em linha com o esperado. Já o índice de preços ao produtor avançou 3,8%, acima da projeção (3,6%).

Em resumo:

No Brasil, o IPCA caiu 0,32% em agosto, levando a inflação em 12 meses de 4,44% para 4,22% e reforçando o processo de desaceleração dos preços. A atividade, porém, trouxe sinais distintos: serviços ficaram estagnados em julho, enquanto a produção e as vendas de veículos avançaram com força, com destaque para a participação recorde dos eletrificados. No câmbio, a saída de US$ 6,7 bilhões no início de setembro adicionou um ponto de atenção ao cenário.

No exterior, a inflação americana permaneceu pressionada, especialmente nos preços ao produtor, cuja alta em 12 meses acelerou para 5,4%. Na Europa, o BCE elevou os juros em 0,25 ponto percentual, ao mesmo tempo em que o PIB da Zona do Euro foi revisado para cima. Alemanha e China também registraram pressões de preços, reforçando um cenário internacional em que inflação, atividade e política monetária seguem no centro das decisões.

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