Brasil: Desaceleração da economia convive com alívio nos preços
O saldo de empregos formais registrados pelo Caged foi de 72,96 mil postos de trabalho em maio, muito abaixo da expectativa do mercado de 115 mil e do resultado anterior de 85,89 mil. O Governo Central registrou déficit primário de R$53,3 bilhões em maio, ante déficit de R$40,2 bilhões no mesmo mês do ano passado. No ano, o déficit acumulado chegou a R$44,4 bilhões. O IGP-M recuou 0,50% em junho, ligeiramente abaixo das projeções de queda de 0,45%. Em maio, o resultado foi de alta de 0,84%. Em 12 meses o IGP acumula alta de 3,18%. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) teve queda de 0,30% em maio, após alta de 2,62% no mês anterior. O acumulado no ano agora é de +4,8% e o acumulado em 12 meses ficou em +1,99%.
O estoque total de crédito subiu 0,6% em maio. As concessões de recursos livres, na série com ajuste sazonal, subiram 0,4% no mesmo período, com R$643,6 bilhões concedidos no mês. O PMI industrial avançou para 50,8 pontos em junho, saindo da zona de retração após registrar 49,1 em maio. A produção industrial recuou 0,2% em maio, primeiro resultado negativo do ano. O acumulado no ano avançou 1,4%, enquanto nos últimos 12 meses, tem alta de 0,4%. O Brasil fechou junho com superávit comercial de US$9,758 bilhões. Com o resultado, o Min. do Desenvolvimento revisou as projeções de saldo comercial de US$72,1 para US$90 bilhões no ano.
Cenário internacional: Mercado de trabalho desacelera, mas economia global segue resiliente
O payroll registrou a criação de 57 mil novas vagas de emprego em junho nos EUA, abaixo da projeção de 115 mil. Os números de abril (148 mil) e de maio (129 mil) foram revisados para baixo. Entretanto, a taxa de desemprego norte-americana recuou para 4,2% em junho, abaixo da expectativa de estabilidade em 4,3%. O PMI industrial dos EUA recuou para 53,9 pontos em junho, abaixo tanto das projeções de 55,7 pontos, quanto do resultado de maio (55,1). O número, no entanto, sugere crescimento do setor.
Em resumo
Os indicadores da semana reforçaram sinais de moderação da atividade econômica brasileira. O Caged mostrou uma geração de empregos abaixo das expectativas, a produção industrial registrou a primeira queda do ano e o Governo Central ampliou o déficit fiscal. Em contrapartida, a inflação continuou dando sinais de arrefecimento, com recuo do IGP-M e dos preços ao produtor. O setor industrial voltou à zona de expansão no PMI, enquanto a balança comercial encerrou junho com forte superávit, levando o governo a revisar para cima a projeção de saldo comercial em 2026.
No cenário internacional, os Estados Unidos criaram menos empregos do que o esperado, embora a taxa de desemprego tenha recuado, sinalizando um mercado de trabalho ainda sólido. A atividade industrial americana perdeu ritmo, mas permaneceu em expansão. Na Zona do Euro, a inflação continuou desacelerando, enquanto a China apresentou leve melhora na atividade manufatureira. O conjunto dos indicadores reforça um cenário de crescimento mais moderado, porém ainda resiliente, nas principais economias do mundo.


